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Equador mobiliza milhares de soldados contra o crime organizado: solução ou 'mais do mesmo'?

© AP Photo / Dolores OchoaSoldados equatorianos participam de parada no Dia do Exército, em fevereiro de 2025
Soldados equatorianos participam de parada no Dia do Exército, em fevereiro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 20.01.2026
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A mobilização de mais de 10 mil soldados nas áreas mais violentas do país pode conter alguns crimes comuns, mas pode gerar um "conflito de forças com vítimas colaterais", alertou a especialista Ana Minga à Sputnik. O especialista Daniel Pontón acredita que o governo equatoriano já desenvolveu uma "dependência" desse tipo de operação.
"Cadeia ou inferno para quem colocar em risco a segurança das famílias equatorianas." Assim apresentou o governo equatoriano a operação chamada Ofensiva Total, que envolveu a mobilização de aproximadamente 10 mil militares nas províncias de Guayas, Los Ríos e Manabí para combater grupos criminosos.
Segundo o governo, as ações militares serão realizadas "ofensivamente e sem trégua", com tropas posicionadas em diferentes cantões dessas províncias com base em "análises de inteligência militar".
Além disso, o Ministro da Defesa equatoriano, Gian Carlo Loffredo, ordenou a transferência do Alto Comando para Guayaquil, capital da província e cidade mais populosa do Equador. Guayaquil também é identificada como o centro de operações de muitos dos grupos criminosos que levaram as autoridades a declarar um "conflito armado interno" em janeiro de 2024.
A especialista em segurança equatoriana Ana Minga disse à Sputnik que uma maior presença militar poderia reduzir certos incidentes violentos, mas apenas aqueles ligados a "crimes comuns" ou pequenas gangues envolvidas em assaltos e roubos. Ela acrescentou que isso pode não ser eficaz no combate a grandes organizações criminosas.
"Uma presença maior pode intimidar pequenas gangues, mas quando falamos de grupos criminosos organizados transnacionais, o que acontecerá é um choque de forças, que se intensificará e incluirá vítimas colaterais como consequência desse choque", explicou Minga, especialista em perfil criminal.
A analista reconheceu o objetivo do Estado equatoriano de "recuperar territórios", mas alertou para a importância de mantê-los posteriormente, numa lógica de "guerra" que, segundo a especialista, os grupos criminosos parecem ter interpretado mais "literalmente" do que o próprio Estado equatoriano desde a declaração de "conflito armado interno".
Nesse sentido, ela afirmou que a captura de líderes importantes de organizações geralmente acarreta mais "derramamento de sangue nas ruas" e, portanto, as forças de segurança equatorianas devem estar preparadas para a possível reestruturação de gangues criminosas.
Dentro desse contexto, a analista considerou um passo positivo o fato de o Ministério da Defesa ter optado por transferir seu comando militar para Guayaquil, cidade que ela identificou como "o ponto crítico" da violência criminal no Equador atual. Segundo Minga, isso melhorará a "coordenação" entre as forças militares e, ao menos, tentará superar a "burocracia" que ainda dificulta a resposta do Estado ao crime organizado.
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Isso resolve o problema subjacente?

Em entrevista à Sputnik, o especialista em segurança equatoriano Daniel Pontón afirmou que é "esperado" que o grande contingente militar traga consigo "um aumento na produtividade em termos de apreensões, capturas e prisões de criminosos e líderes de organizações criminosas".
No entanto, ele alertou que o novo destacamento pode acabar sendo "mais do mesmo", somando-se às inúmeras operações semelhantes que o governo Daniel Noboa anunciou desde que assumiu o poder no Palácio Carondelet e que, dois anos após o início do "conflito armado interno", ainda não conseguiram resolver o problema subjacente no país.
"Quando o governo apresenta seus resultados de segurança, o que faz é entregar uma lista interminável de ações. Pode dizer: 'Já capturei cinco líderes', e isso soa bem numericamente, mas o impacto que isso tem no combate ao crime é quase nulo", avaliou Pontón.
De fato, o analista enfatizou que "sempre há novos líderes" nessas organizações assim que os anteriores são capturados, e que os diversos grupos criminosos conseguem retomar rapidamente suas atividades. Ao mesmo tempo, ele destacou que os planos de segurança definidos pelo governo carecem frequentemente de avaliações rigorosas, o que impede a administração Noboa de reavaliar sua abordagem.
Além disso, o especialista observou que o governo Noboa parece ter desenvolvido "uma dependência psicológica" desse tipo de anúncio, devido à popularidade que essas medidas excepcionais conferiram ao atual presidente equatoriano.
A administração equatoriana "vendeu a ideia de um plano de segurança, e a militarização lhe conferiu considerável popularidade, apesar da falta de uma direção clara. É por isso que o governo tem a necessidade recorrente de declarar estados de emergência", afirmou Pontón.
Segundo o especialista, o recente assassinato do líder da gangue Los Lagartos, conhecido como El Marino, em uma área nobre da província de Guayas, demonstra como o crime organizado permeia os setores mais ricos da sociedade equatoriana, envolvendo inclusive empresários.
Pontón opinou que essa realidade implica em "uma ligeira mudança no quadro interpretativo" e em deixar de pensar no crime organizado apenas como "gangues se matando" para considerá-lo um problema "profundamente enraizado em todas as esferas sociais".
Para o analista, essa nova perspectiva significa que "a narrativa de conflito armado interno e hipermilitarização se mostra insuficiente" e leva o Estado equatoriano a prestar mais atenção às relações econômicas dessas gangues criminosas.
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