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China está pressionando os EUA com o dólar, e a Europa quer seguir o exemplo

© AP Photo / Mark LennihanNotas de dólar são depositadas em uma caixa de depósito em Nova York, 24 de maio de 2021
Notas de dólar são depositadas em uma caixa de depósito em Nova York, 24 de maio de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 14.02.2026
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Reguladores chineses aconselharam instituições financeiras no gigante asiático a limitarem suas participações em títulos do Tesouro americano. Enquanto isso, a Europa alerta para a necessidade urgente de reduzir sua dependência de sistemas de pagamento americanos, como Visa e Mastercard, e de criar alternativas próprias.

Será este o início de uma crise?

Segundo a Bloomberg, citando fontes familiarizadas com a situação, os reguladores chineses baseiam essa recomendação em preocupações com a concentração e a volatilidade do mercado.
A reportagem afirma que autoridades pediram aos bancos que limitem suas compras de títulos do Tesouro americano e instruíram aqueles com alta exposição a reduzirem suas posições. No entanto, essa diretriz não se aplica às participações do governo chinês nesses títulos.
Nesse contexto, de acordo com a The Economist, o dólar apresenta uma significativa desvalorização em relação a outras moedas importantes do mundo, e essa tendência também se reflete na queda de sua participação nas reservas globais dos bancos centrais. Nas últimas duas décadas, a hegemonia do dólar como moeda de reserva internacional tem se enfraquecido, aumentando as preocupações sobre seu papel futuro no sistema financeiro global.
"Quando a China pressiona os bancos a reduzirem sua exposição a títulos do Tesouro americano, o que acontece imediatamente é que as diversas instituições e agentes financeiros que detêm esses títulos iniciam um período de desinvestimento, que se acelera com o tempo", observa Walter Formento, diretor do Centro de Pesquisa em Política e Economia (CIEPE).
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"Isso gera imediatamente uma perda no valor dos títulos americanos, o que significa que o que antes eram títulos e fundos aplicados no exterior para financiar o governo dos EUA começam a se tornar dívida que o Tesouro americano precisa começar a pagar, porque os títulos que estão sendo vendidos geram imediatamente uma demanda por pagamentos, o que, por sua vez, acelera as condições e a instabilidade do dólar", explica o analista.
Formento enfatiza que "isso afeta diretamente o governo dos EUA devido a essa crise emergente, porque todos os detentores de títulos, mesmo os menores, também começam a vender suas participações, visto que os grandes players estão fazendo o mesmo, e tudo indica que há uma situação de crise por algum motivo, e eles precisam vender, e, portanto, isso impacta o governo dos EUA", aponta o especialista.
Por sua vez, a Europa precisa urgentemente reduzir sua dependência de sistemas de pagamento dos EUA, como Visa e Mastercard, e criar suas próprias alternativas transfronteiriças, segundo Martina Weimart, CEO da aliança bancária European Payments Initiative (EPI).
"Se dizemos que a independência é tão crucial e todos sabemos que é uma questão de tempo... precisamos agir com urgência", disse Weimart ao Financial Times. Nesse sentido, ela denunciou a alta dependência de soluções estrangeiras. Ela enfatizou que, apesar de existirem bons sistemas nacionais de cartões de pagamento, não há um equivalente "transfronteiriço".
Para Formento, isso "mina as posições dominantes da Visa e da Mastercard, gerando uma crise completa".
"Isso só agrava a situação, intensificando a corrida ao dólar e aos métodos de pagamento americanos. Portanto, o que estamos testemunhando é um choque de interesses na esfera econômica entre os atores financeiros globalistas, que controlam a política econômica da União Europeia, e os atores econômicos e financeiros que apoiam [o presidente dos EUA] Donald Trump."
Segundo o especialista, este "é um conflito entre a União Europeia e os EUA no âmbito da economia, de suas moedas e de seus meios de pagamento; nada mais é do que a manifestação concreta de uma colisão frontal entre os interesses financeiros globalistas e os interesses financeiros continentais que Trump representa".
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