Crise no Oriente Médio pressiona bancos centrais e reacende temor de estagflação, diz mídia

© AP Photo / Leo Correa
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A escalada da crise no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, derrubou mercados e colocou bancos centrais sob pressão inédita, forçando países a equilibrar inflação crescente, risco de estagflação e a necessidade de proteger economias já fragilizadas.
A crise no Oriente Médio desencadeada pelos EUA e Israel ao atacarem o Irã redesenhou o cenário para os bancos centrais. O aumento do preço do petróleo e a instabilidade geopolítica criam um ambiente em que decisões de política monetária se tornam mais arriscadas e politicamente sensíveis, especialmente em economias dependentes de energia importada.
Segundo a Reuters, nos mercados emergentes asiáticos, cortar juros deixou de ser uma opção simples. A alta dos combustíveis pressiona ainda mais os preços internos, enquanto a fuga para o dólar ameaça provocar saídas de capital.
A Índia, por exemplo, tenta priorizar o crescimento mantendo juros baixos, mas a desvalorização da rupia pode obrigar o banco central a intervir com mais força para defender a moeda.
Tailândia e Filipinas também se veem encurraladas: mesmo com economias fragilizadas pelo custo da energia, podem ter de abandonar políticas expansionistas. Para analistas ouvidos pela mídia britânica, a ausência de uma perspectiva clara para o fim do conflito aumenta diariamente o risco de estagflação, um cenário temido por governos e mercados.
A turbulência já se reflete nos mercados financeiros. Bolsas asiáticas recuaram, o dólar ganhou força e o petróleo ultrapassou os US$ 110 (R$ 580,49), alimentando temores de uma guerra prolongada e de uma inflação global mais persistente. Países com forte base manufatureira, como Coreia do Sul e Japão, são particularmente vulneráveis, pois dependem de cadeias de suprimentos estáveis e custos baixos de matérias-primas.
Na Coreia do Sul, o banco central pode adotar uma postura mais dura caso a inflação continue acima da meta, embora analistas ainda considerem improvável um aumento imediato dos juros. No Japão, o dilema é ainda mais profundo: com o petróleo caro reduzindo o crescimento potencial e a inflação acima da meta há quase quatro anos, o Banco do Japão tem pouco espaço para ignorar pressões inflacionárias, mesmo sob risco de atritos políticos.
Austrália e Nova Zelândia ilustram como ciclos econômicos distintos complicam a vida dos formuladores de política monetária. Na Austrália, o temor é que o petróleo caro desancore expectativas de inflação, exigindo juros altos por mais tempo. Já a Nova Zelândia, ainda fragilizada por aperto monetário anterior, pode ser forçada a tolerar inflação mais elevada para evitar sufocar ainda mais a atividade econômica, afirma a apuração.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que um aumento persistente de 10% no preço do petróleo pode adicionar 40 pontos-base à inflação global.
Para a diretora-gerente Kristalina Georgieva, o momento exige que governos e bancos centrais "pensem no impensável" e se preparem para um ambiente econômico marcado por choques sucessivos e incertezas prolongadas.




