Mídia: Japão aumenta militarização com implantação de míssil de longo alcance e sistemas de defesa

© Foto / Conta oficial do Ministério da Defesa do Japão nas redes sociais/JGSDF
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O Japão colocou em operação seu primeiro míssil de longo alcance, o Tipo‑12 modernizado, em um acampamento militar na província de Kumamoto. A medida faz parte de um esforço mais amplo para ampliar suas capacidades ofensivas em meio ao que o governo descreve como o ambiente de segurança mais complexo desde a Segunda Guerra Mundial.
Desenvolvido pela Mitsubishi Heavy Industries, o novo Tipo‑12 tem alcance de cerca de 1.000 quilômetros, uma expansão significativa em relação aos 200 quilômetros da versão original. Essa extensão permite ao Japão atingir alvos muito mais distantes, incluindo partes do território continental chinês, o que representa uma mudança estratégica relevante.
Segundo apuração da AP, o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, afirmou nesta terça-feira (31) que o sistema reforça a dissuasão e demonstra a determinação do país em se defender. No entanto, a instalação do míssil provocou protestos de moradores próximos ao Campo Kengun, que temem que a presença do armamento transforme a região em alvo de potenciais adversários.
A modernização militar não se limita ao Tipo‑12. No mesmo dia, o Japão também destacou um veículo planador hipersônico no Campo Fuji, parte de um plano para fortalecer a defesa das ilhas do sudoeste.
Até 2028, o governo pretende distribuir mais unidades do míssil modernizado e veículos blindados em regiões estratégicas como Hokkaido e Miyazaki.
Além dos sistemas nacionais, o Japão planeja equipar o destróier JS Chokai com mísseis de cruzeiro Tomahawk, de fabricação norte-americana e alcance de 1.600 quilômetros, expandindo ainda mais sua capacidade de ataque à distância. Outros sete destróieres deverão receber o mesmo armamento posteriormente.
Essas iniciativas ocorrem em um contexto de crescente preocupação com a China, considerada por Tóquio sua principal ameaça regional. O governo da primeira‑ministra Sanae Takaichi aprovou um orçamento recorde de defesa superior a 9 trilhões de ienes (cerca de R$ 327 bilhões) para fortalecer capacidades de contra‑ataque, vigilância e defesa costeira.
A atividade militar chinesa próxima às ilhas japonesas, incluindo a operação simultânea de dois porta‑aviões em 2023, intensificou os alertas.
As tensões aumentaram ainda mais após Takaichi declarar que uma ação militar chinesa contra Taiwan poderia justificar uma resposta japonesa. Em paralelo, o Ministério da Defesa criou um escritório dedicado a monitorar a atuação chinesa no Pacífico, reforçando a orientação estratégica de contenção e vigilância permanente.


