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Netanyahu joga com tensões no Oriente Médio para adiar julgamento de corrupção, diz analista

© AP Photo / Jacquelyn MartinBenjamin Netanyahu em 12 de outubro de 2023 em Tel Aviv
Benjamin Netanyahu em 12 de outubro de 2023 em Tel Aviv - Sputnik Brasil, 1920, 11.04.2026
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A escalada da ofensiva israelense no Líbano está comprometendo as negociações em Islamabad e, ao mesmo tempo, servindo como instrumento para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, adiar seu julgamento por corrupção, explica analista à Sputnik.
Horas depois de um cessar-fogo de duas semanas ser anunciado no Oriente Médio, Israel esclareceu que o pacto não incluía o Líbano e, no dia seguinte, lançou um dos ataques mais mortais contra o país, que deixou quase 300 mortos e mais de 1.100 feridos, segundo informações da imprensa e de organizações internacionais.
Enquanto os bombardeios em território libanês continuavam, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu ordenou que seu gabinete iniciasse o mais rápido possível negociações com o governo libanês para tratar do desarmamento do Hezbollah, da desmilitarização do país e do estabelecimento de "relações pacíficas entre Israel e Líbano". Tudo isso era à parte dos diálogos em Islamabad.
As tensões continuam apesar de o Líbano ter anunciado, em 10 de abril, que realizaria conversações separadas com Israel nos Estados Unidos no dia 14 de abril.
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Processo frágil

"A situação no Líbano é de fato muito arriscada para que o cessar-fogo continue", disse Tarik Zeraoui Sánchez, especialista em relações internacionais sobre o Oriente Médio, à Sputnik.
Segundo o professor, o acordo é tão frágil que, agora, "os objetivos de Islamabad são exclusivamente continuar as negociações".

"A ideia já nem é chegar a um acordo de paz, mas simplesmente que os Estados Unidos e o Irã se sentem à mesa para negociar", disse.

Nesse sentido, o especialista considerou que o que acontecer no Líbano será decisivo para a mesa de negociações entre Washington e Teerã.
No entanto, ele esclareceu que, quando o Irã se refere ao Líbano, está se referindo ao Hezbollah, um de seus aliados mais importantes dentro do chamado Eixo da Resistência, que também inclui o Hamas na Palestina, o movimento Ansar Allah (houthis) no Iêmen e várias outros movimentos no Iraque.
"O Hezbollah, não podemos esquecer, nasceu desde o início com o apoio iraniano, do aiatolá [Ruhollah] Khomeini, que inclusive batizou o grupo. Foi ele quem lhe deu o nome de Partido de Deus", explicou o especialista.

Julgamento de Netanyahu

As autoridades israelenses anunciaram nesta semana que planejam retomar o julgamento por corrupção do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O julgamento havia sido suspenso devido ao estado de emergência declarado em resposta à guerra iniciada por Tel Aviv e Washington contra o Irã em fevereiro.

Netanyahu enfrenta três processos por corrupção, com acusações que incluem fraude, quebra de confiança e abuso de poder.

"O julgamento criminal de Netanyahu será retomado no domingo [12 de abril]. Um cessar-fogo regional, inclusive no Líbano, aceleraria sua prisão", observou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Aragchi.
Segundo Zeraoui, "os governos geralmente respondem a pressões internas e externas, e este é sem dúvida o caso em Israel".

"Ao observar as ações do governo israelense, é preciso sempre analisar se elas são uma resposta à pressão externa ou interna. No caso do primeiro-ministro Netanyahu [...], trata-se de uma forma de evitar processos judiciais", observou o especialista.

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O analista acrescentou que Israel "está constantemente envolvido em guerras perpétuas", apesar de, recentemente, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyar Zamil, ter alertado que o Exército está à beira do colapso.
"O Exército está ficando sem pessoal, tanto que teve que convocar de volta para a linha de frente soldados que já sofriam de estresse pós-traumático e estavam em tratamento para isso", observou Zeraoui.
"Isso nos mostra que, repetidamente, [as Forças Armadas] não pararam [...] e, sem dúvida, pôr fim a todos os conflitos que Israel realizou [nos últimos dois anos e meio] significaria retomar o julgamento de Benjamin Netanyahu e, muito provavelmente, sua prisão", acrescentou.

Possíveis cenários

O especialista salientou que, se Israel tivesse vencido a guerra contra o Irã, no sentido de derrubar o regime iraniano, talvez o presidente Isaac Herzog tivesse considerado conceder um indulto a Netanyahu.
No entanto, como o conflito não se desenrolou conforme o esperado pelo Estado judeu, "mesmo a ocupação do sul do Líbano está se mostrando bastante difícil, e essa última frente provavelmente não será vista como um sucesso para o primeiro-ministro Netanyahu".
Portanto, ele argumentou que, para Netanyahu, a continuação do conflito "é uma forma de evitar e prolongar as provações que estão por vir".
Em relação aos cenários para Beirute, Zeraoui estimou que, por ora, é difícil prever o que acontecerá, pois isso dependerá, por um lado, de como o campo de batalha se transformará no sul do Líbano e, por outro, de como as negociações em Islamabad serão conduzidas.
"Os Estados Unidos provavelmente farão de tudo para manter o Líbano fora das negociações, e estimo que o Irã não cederá e fará todo o possível para manter o Líbano incluído nas negociações", disse Zeraoui.
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