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Política de deportação dos EUA traz impactos sociais globais, aponta analista (VÍDEOS)

© telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagensWashington anuncia o fim das operações de imigração do ICE em Minnesota
Washington anuncia o fim das operações de imigração do ICE em Minnesota - Sputnik Brasil, 1920, 30.04.2026
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Os Estados Unidos intensificaram a política de deportação para terceiros países, e isso significa que os deportados não necessariamente irão retornar à sua pátria de origem, mas sim para nações diferentes, como Paraguai, Gana e Congo. Essa prática exercida pelo governo norte-americano pode potencializar crises em nível mundial.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Fabiana de Oliveira, mestre e doutora em relações internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (PROLAM/USP), afirma que, ao "terceirizar", o objetivo é enviar uma mensagem simbólica que desestimule potenciais migrantes a tentar ingressar no país.

"A intenção é promover uma dissuasão e dizer: 'olha, se você vier para cá, pode terminar pior do que estava no seu país de origem, então, é melhor você ficar por aí ou emigrar para um país vizinho'. Isso desorganiza completamente a agenda internacional e as dinâmicas internacionais de migração", disse.

A internacionalista ressalta, ainda, que medidas punitivas e a perseguição aos imigrantes para, em seguida, deportá-los para algum país terceiro geram outro agravante: a falta de clareza nos acordos estabelecidos, o que deixa a situação ainda mais vulnerável para quem está sendo removido de forma truculenta.

"As pessoas ficam sabendo algumas horas antes para onde efetivamente vão e não têm nem a opção de dizer 'não, quero voltar para o meu país', porque são enviadas para o destino que os EUA escolheram. A gente não sabe o que vai acontecer com essas pessoas, porque esses acordos firmados com Paraguai, El Salvador e Congo são pouquíssimo transparentes", comenta.

Deportados sofrem estigmas em outros países

Fabiana, que também é pesquisadora de pós-doutorado do Instituto de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), aponta que essa ação perpetrada pela Casa Branca, além de ilegal, viola os princípios do direito internacional.

"Outra questão muito importante com essas deportações é o estigma recebido por quem é deportado. Por exemplo, essas 16 pessoas que o Paraguai acabou de receber chegam estigmatizadas pela campanha que o governo Trump faz, de que apenas criminosos estão sendo deportados, e essa não é a realidade", explica.

A especialista também contextualiza que, como os EUA não são punidos internacionalmente por essas ações, a única maneira de impedir a deportação em massa seria por meio da política interna, como aconteceu no Reino Unido e na Itália, que tinham como premissa deportar imigrantes para Ruanda e Albânia, respectivamente.

"A Suprema Corte do Reino Unido, ainda em 2023, decidiu que o acordo com Ruanda era ilegal, e ele não existe mais desde 2024. No caso da Itália, foi também a Suprema Corte que impediu o envio de solicitantes de refúgio e asilo para a Albânia. Normalmente, são essas instituições internas que podem impor limites nos Estados Unidos, no entanto, o atual governo tem maioria", discorre.

Washington usa deportação como pressão política

Outro ponto levantado por Fabiana é que a deportação para países terceiros também acontece de maneira impositiva, e o governo que receberá um grupo de deportados não o faz por livre e espontânea vontade, mas sim por causa de ameaças de retaliação norte-americana.

"O ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador elegeu-se sob a promessa de não restringir os fluxos migratórios. Contudo, diante da pressão de Washington durante a renovação do então NAFTA [Tratado Norte-Americano de Livre Comércio], viu-se compelido a implementar o programa 'Remain in Mexico' [Permaneça no México], em 2019, passando a acolher imigrantes deportados pelos Estados Unidos", conclui.

Em um mundo globalizado, crises econômicas e sociais empurram o cidadão comum para potências centrais. No entanto, esses países, muitas vezes responsáveis por tais instabilidades, rejeitam os imigrantes devido às suas próprias crises internas, que geram xenofobia.
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