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Venezuela insiste em solução direta com Guiana sobre Essequibo sob a sombra dos EUA

© AP Photo / Matias DelacroixJovem dirige motocicleta que passa em frente a mural da campanha do referendo pela incorporação do território de Essequibo pela Venezuela. Caracas, 11 de dezembro de 2023
Jovem dirige motocicleta que passa em frente a mural da campanha do referendo pela incorporação do território de Essequibo pela Venezuela. Caracas, 11 de dezembro de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 08.05.2026
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Em uma nova ofensiva diplomática, Caracas voltou à Corte Internacional de Justiça (CIJ) para defender sua reivindicação sobre o território da Guiana Essequibo, uma área de quase 160 mil quilômetros quadrados, rica em recursos naturais e no centro de uma controvérsia que já dura 126 anos.
Apesar de não reconhecer a competência do tribunal para resolver a disputa, a delegação venezuelana apresentou em Haia os argumentos históricos e jurídicos que, segundo analistas, buscam consolidar sua posição no cenário internacional e pressionar por uma negociação direta com a Guiana.
A apresentação, realizada em meio a um renovado clima de tensões fronteiriças, foi classificada pelo chanceler da Venezuela, Yván Gil, como uma intervenção "clara" e "pedagógica", dirigida não apenas aos juízes da Corte, mas também à comunidade internacional e, especialmente, à juventude venezuelana.
"A Venezuela deixou claro hoje também para a comunidade internacional, para a República Cooperativa da Guiana e para a Corte que, por meio do Acordo de Genebra, está disposta a trabalhar diretamente, cara a cara, como determina esse acordo, com a República Cooperativa da Guiana, para encerrar definitivamente essa controvérsia que já completa 126 anos", enfatizou o chanceler.
Para o cientista político venezuelano e especialista em relações internacionais Martín Pulgar, a presença da Venezuela em Haia foi um ato de "grande importância", porque oferece ao país a oportunidade de demonstrar com argumentos históricos sólidos as razões da reivindicação.
Em entrevista à Sputnik, Pulgar explicou que a defesa venezuelana se baseou em alegações reunidas "praticamente desde o surgimento da independência e após muitos dos conflitos que ocorreram com o Império Britânico".
Segundo o analista, a intenção original do império era se apropriar de uma faixa muito mais extensa do território venezuelano, que ia "até a foz do Orinoco e um pouco além", motivada pela descoberta de ouro na rica região da Guiana venezuelana em meados do século XIX.
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Acordo de Genebra como roteiro

Além dos argumentos históricos, o núcleo da estratégia venezuelana é a defesa do Acordo de Genebra de 1966, instrumento que estabelece a necessidade de um "acordo mutuamente aceito entre as partes" e não uma imposição de um tribunal externo:

"Não reconhecemos essa instância para a resolução desse conflito e, fundamentalmente, sustentamos que se trata de uma negociação entre duas partes, que deve ser conduzida entre a conveniência da Venezuela e a conveniência da Guiana de buscar uma resolução mutuamente aceita pelas partes", disse Pulgar.

Denúncias de 'falsa bandeira' e o fator ExxonMobil

O chanceler Gil Pinto, por meio de suas redes sociais, denunciou a divulgação de um falso ataque venezuelano que teria deixado um soldado ferido. Segundo Caracas, há um padrão recorrente sempre que a Venezuela recorre a instâncias internacionais.
Pulgar afirmou que a Guiana tenta construir uma narrativa de "agressividade venezuelana" para elevar o tom do conflito na agenda midiática internacional.

"Isso não aconteceu por parte da Venezuela, e a Venezuela mantém uma atitude profundamente moderada; inclusive, sempre propôs uma solução pacífica da controvérsia por meio da vontade de ambas as partes."

O analista também destaca a presença de grandes corporações transnacionais, em particular a ExxonMobil, explorando petróleo em território ainda em disputa.

"Não podemos negar os interesses de entidades transnacionais que estiveram presentes em todos os conflitos bélicos, ou em boa parte deles, não apenas na América Latina durante grande parte do século XIX, mas também atualmente", afirmou Pulgar.

Em um contexto de escassez energética mundial e de reconfiguração geopolítica, a região do Essequibo tornou-se estratégica para atender à demanda por combustíveis fósseis.

Sob a sombra de Washington

O último fator que Pulgar introduziu em sua análise é o papel dos Estados Unidos na região, particularmente no contexto da recente aproximação entre Washington e Caracas após anos de sanções e tensões. O cientista político menciona a "doutrina Monroe 2.0" e a visão de controlar o "grande hemisfério norte", um anel de segurança no qual a Venezuela estaria incluída.

"A Venezuela está em processo de cooperação com os EUA após o sequestro do presidente Maduro. Alguns elementos foram abertos, digamos, um pouco sob pressão, mas também devido à visão e à necessidade dos EUA de buscar energia", afirmou o especialista.

O analista espera que Washington não intervenha de forma parcial e que sejam "a dinâmica jurídica e os argumentos estabelecidos" os fatores predominantes.
No entanto, adverte que "os interesses dos grandes impérios podem jogar a favor ou contra as decisões de nossos países soberanos", citando exemplos históricos como a Guerra do Chaco e a Guerra do Pacífico, nas quais corporações e potências estimularam conflitos por recursos.
"A história diplomática e a história das relações internacionais estão cheias de exemplos de soluções compartilhadas para evitar elementos conflituosos ou violentos", concluiu ele.
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