O economista e corretor da bolsa norte-americano, Peter Schiff, adverte em seu novo podcast que "cada bolha encontra seu alfinete" e que a criação de dinheiro "do nada" por parte do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês) conduzirá ao colapso do dólar.
Os mercados caíram nesta segunda-feira (26) com uma preocupação proveniente da falta de progresso em um acordo de incentivo e pelo aumento dos casos da COVID-19, argumenta Schiff.
Segundo economista, a liquidação poderia ter sido pior se não fossem as ações de que se beneficiaram com a pandemia. No entanto, o mesmo se pergunta por quanto tempo essas ações poderiam continuar fomentando o mercado, uma vez que já estão significativamente sobrevalorizadas.
"Se todas as pessoas que ficam em casa e fazem compras nunca voltarem ao trabalho ou nunca tiverem um trabalho, e o único dinheiro que tiverem para gastar é o dinheiro que o Fed cria 'do nada', eventualmente o dólar colapsará e seu poder aquisitivo real reduzirá junto com ele", prediz o especialista, alertando que "muitas dessas ações colapsarão, porque não terão rendimento real".
'Carregados de dívidas'
Embora a maioria dos norte-americanos indique atualmente a pandemia como uma das razões principais de seu desespero, Schiff lembra que o país já enfrentou outros grandes choques econômicos, como a Segunda Guerra Mundial e sem contar com a abundância de incentivos governamentais.
Neste sentido, o economista explica que, naquela época, a população estava mais preparada e dispunha de uma poupança, ao passo que agora não estavam preparados "de forma alguma".
"Por que os norte-americanos estão carregados de dívidas e vivem de salário em salário? Por que acontece o mesmo com tantas empresas? Por que as perdas de crédito agora vão ser horríveis?", indaga o economista.
De acordo com Schiff, tudo isso acontece porque a Reserva Federal manteve taxas de juro tão baixas, durante tanto tempo, que as pessoas e as empresas tiveram a chance de pedir muito mais dinheiro emprestado do que poderiam em um ambiente normal de crédito.
"É graças à Reserva Federal que a sociedade e o país estão tão alavancados. Por isso somos tão vulneráveis e por isso todo o mundo precisa de tanta ajuda", enfatiza.
Se os EUA permitissem "que as forças do mercado operassem", teriam tido uma economia muito mais saudável perante a COVID-19, "em vez de uma bolha", assegura o analista que conclui: "O problema das bolhas é que, mais cedo ou mais tarde, elas sempre encontram um alfinete."