Em um ano de estagnação econômica e disparada da inflação, o planejamento financeiro se torna, mais do que nunca, um grande aliado para o bolso. Por isso, a Sputnik Brasil conversou com o educador financeiro José Vignoli, que indicou as melhores estratégias para que os brasileiros não deem um passo maior que a perna no último mês de 2021 que os leve a iniciar aos tropeços um novo ano.
Segundo o especialista, neste
momento vivido pelo país, é mais importante começar janeiro sem sobressaltos que afundar o pé no acelerador agora com os
gastos de Natal e Réveillon iguais às épocas de vacas gordas.
"Aqueles brasileiros que vão receber o 13º nesse momento da economia em recuperação devem rever muito seus gastos e agir com muita cautela, comprar aquilo que realmente for necessário, quitar suas dívidas e verificar quanto realmente podem gastar nesse período. É algo que exige esforço, cálculo e família unida", alertou Vignoli.
O educador financeiro ressalta que quem começou o planejamento para o início de 2022 e esbarrou em dificuldades já deu um passo importante. Quanto antes os brasileiros fizerem os cálculos, menores serão as chances de perderem o controle e derraparem nas "velhas desculpas" de gastos imprevisíveis.
"Já é Natal" nas propagandas da televisão e você ainda não calculou o que de fato precisará comprar? Segundo Vignoli, isso ainda não é motivo para desespero. Ele garante que ainda há tempo de colocar no papel todas as despesas da virada do ano.
Com relação a possíveis descontos e parcelamentos, o especialista acredita que o cálculo dependerá de quanto se tem na conta para determinar a capacidade financeira.
Mas ele recorda que, em casos de parcelas, é fundamental anotar todos os gastos mensais destrinchados para que se tenha ciência das reais obrigações nos primeiros meses do ano, que, segundo ele, são mais pesados no orçamento.
"A história de não resistir às compras é relativa. A pessoa tem que entender por que ela tem essa vontade irresistível de gastar mesmo não podendo. O 13º é um momento muito importante, da renda extra que vem e que serve para botar a vida em ordem ou parte da vida em ordem", afirmou.
Sem minimizar a importância de presentear entes queridos, o especialista lembra que também é essencial comprar os "mimos" e as recordações com uma situação financeira estável para não trazer preocupações para toda a família.
"Sempre que houver a possibilidade de pagar as dívidas, deve-se fazer isso", apontou.
Para aqueles que pretendem investir o 13º, Vignoli aconselha os fundos de investimento que acompanhem a taxa de juros. Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), verificando os percentuais oferecidos e as taxas de administração, também são uma boa opção, segundo o especialista.
Para quem não tem conhecimento suficiente na área de investimentos ou não poderia se mobilizar para estas opções agora, o educador financeiro indica a própria poupança, que, mesmo pagando menos, ainda é mais rentável que deixar as economias na conta corrente, onde o dinheiro acaba sendo mais fluido pela facilidade de gasto e corroído pela inflação com o passar dos meses.
"É uma opção, desde que a pessoa guarde dinheiro e alimente essa poupança sempre, mas procure entender o mercado financeiro para buscar a melhor opção", afirmou.
Vignoli ainda ressaltou a importância de se ter a exata noção sobre as próprias dívidas e outros fatores, como créditos consignados, utilização de cheque especial e taxas do rotativo do cartão de crédito.
Segundo o especialista, o brasileiro em geral vai
sentir a inflação por conta do aumento do dólar e, consequentemente, dos preços de itens natalinos.
"Por isso, vale muita pesquisa, alguma pechincha e comprar se realmente puder, sem parcelar o que não tem condições de pagar e que possa pesar no início do ano que vem", indicou.