Para a Rússia, é inadmissível que os EUA tenham armas nucleares na Europa, é tempo para retirá-las, segundo o chefe da diplomacia russa.
"Os países ocidentais devem abdicar da construção de instalações militares nos territórios dos países que anteriormente foram parte da União Soviética e não são membros da Aliança, inclusive sua infraestrutura para realizar quaisquer atividades militares.''
De acordo com suas palavras, o Ocidente ainda não mostra estar pronto a apresentar à Rússia suas
garantias de segurança jurídicas e de longo prazo, sobretudo a recusa de expansão da OTAN para leste.
Ele ressaltou que para Moscou é "de importância crucial" atingir esses objetivos, inclusive a necessidade de fazer com que os potenciais militares, inclusive de combate, bem como a infraestrutura da OTAN, retornem ao estado em que estavam em 1997, quando foi assinado o Ato entre a Rússia e a Aliança Atlântica.
A Rússia, por sua vez, está tomando todas as medidas para não permitir que a Ucrânia obtenha armas nucleares. Conforme as palavras de Lavrov, as declarações irresponsáveis de Kiev sobre o tema não são simplesmente uma bravata: a Ucrânia possui tecnologias nucleares soviéticas e os meios de lançamento de tal armamento.
"Posso lhes assegurar: a Rússia como membro responsável da comunidade internacional, comprometida com suas obrigações de não proliferação de armas de destruição em massa, está tomando todas as medidas necessárias para impedir o surgimento de armas nucleares e tecnologias relacionadas na Ucrânia."
O ministro do Exterior comentou ainda
as sanções impostas recentemente à Federação da Rússia:
"Ao escolher o caminho de sanções unilaterais ilegítimas, os países da UE tentam evitar o diálogo sincero cara a cara, os contatos diretos, destinados a favorecer as resoluções políticas dos candentes problemas internacionais".
Nas atuais condições, ressalta ele, é preciso fazer tudo para impedir novas viradas da corrida armamentista, e a Rússia exorta os EUA e seus aliados a se juntarem à moratória de implantação dos mísseis de médio e curto alcance na Europa.
A conferência de desarmamento ocorre hoje em Genebra, Suíça, mas o chefe da diplomacia russa não conseguiu participar do evento em forma presencial e
discursou em formato de videoconferência, devido às sanções europeias contra várias figuras políticas russas na sequência da
operação militar iniciada pelo presidente Vladimir Putin na Ucrânia.
A Rússia respeita o povo ucraniano e não tem a intenção de infringir os interesses dos cidadãos ucranianos:
"Não pretendemos de modo nenhum infringir os interesses dos cidadãos ucranianos, com os quais estamos unidos não apenas pela história conjunta, afinidade civilizacional, espiritual e cultural, mas também simplesmente por laços de sangue. Milhões de ucranianos vivem agora na Rússia. Para nós, eles são 'nossos'. Juntos fomos e seremos muito mais fortes e bem sucedidos".
Os EUA e seus aliados mais uma vez mostraram que seguem padrões duplos, ao criticar a operação russa na Ucrânia, acrescentou Lavrov, "sendo responsáveis por numerosos abusos dos direitos humanos e do direito humanitário internacional, culpados por crimes, dos quais centenas de milhares de pessoas comuns na Iugoslávia, Iraque, Líbia e Afeganistão foram vítimas.
Durante o discurso do chanceler russo, as delegações de vários países saíram ostensivamente da sala da conferência em protesto. O MRE russo qualificou tal comportamento como "hipócrita", cujo "silêncio criminoso provocou o conflito" na Ucrânia.