Panorama internacional

'Prejudica nossa segurança': Stoltenberg insta União Europeia a não 'dobrar' funções da OTAN

Jens Stoltenberg, secretário-geral da OTAN, fala durante coletiva de imprensa para apresentar o Relatório Anual da organização para 2023 na sede da Aliança Atlântica em Bruxelas, Bélgica, 14 de março de 2024
Jens Stoltenberg se expressou contra a ideia de reforçar a componente militar da UE, pois "os planos militares […] devem ser definidos por apenas uma organização".
Sputnik
O secretário-geral da OTAN acredita que a Aliança Atlântica e a União Europeia (UE) não podem, ambas, estabelecer objetivos de defesa e introduzir padrões militares.
"A OTAN é a organização que deve determinar metas, não se pode ter duas organizações que determinem tais metas para os mesmos países", disse Jens Stoltenberg em uma coletiva de imprensa em que apresentou o relatório anual sobre as atividades da OTAN.
Ele explicou, em particular, que a OTAN e a UE não podem estabelecer metas de defesa diferentes para países como a Alemanha, Dinamarca ou Polônia, que integram ambos os blocos.
"Os planos militares, incluindo aqueles relativos ao número de tanques, navios e aeronaves e o grau de prontidão, devem ser definidos por apenas uma organização. Essa é a principal tarefa da OTAN", sublinhou Stoltenberg, acrescentando que o mesmo ocorre com outras armas, comunicações, a interoperabilidade e a compatibilidade.
"Os aliados da OTAN na Europa proporcionam apenas 20% dos gastos com defesa, então os padrões devem ser definidos pela OTAN, que proporciona 100%. [...] Os padrões e o planejamento militar são uma tarefa fundamental da OTAN, não podem ser duplicados, pois isso prejudica nossa segurança", disse Stoltenberg.
O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, ouve perguntas de jornalistas durante uma conferência de imprensa na sede da OTAN. Bruxelas, 27 de novembro de 2023
Panorama internacional
Stoltenberg não vê 'nenhuma ameaça imediata' à OTAN
O alto responsável também abordou temas como as armas hipersônicas da Rússia.

"Os mísseis hipersônicos representam uma ameaça e mostram o grande investimento da Rússia no desenvolvimento de sistemas avançados de armas. […] Isso também demonstra a importância de fortalecer a defesa antiaérea e antimísseis, não apenas qualitativamente, mas também quantitativamente", disse Jens Stoltenberg.

Ao mesmo tempo, ele se mostrou certo de que a OTAN tem a capacidade de se defender contra os mísseis supersônicos russos, recordando que a Ucrânia, com a ajuda dos sistemas de defesa antiaérea Patriot, supostamente conseguiu abater vários Kinzhal russos.
"Acho que demonstramos que a OTAN tem a capacidade de se defender dos mísseis supersônicos russos", concluiu o secretário-geral da OTAN.
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