"Em uma semana, o mundo testemunhou duas violações arbitrárias do direito internacional e das normas e dos padrões das nações civilizadas pelo Estado de Israel", disse Ritter, que também é ex-inspetor de armas da Organização das Nações Unidas (ONU).
"O fato de Israel considerar esses oficiais como alvos legítimos não lhes dá permissão para violar as proteções que são garantidas a essas estruturas. A imunidade diplomática é uma realidade, e esses prédios são garantidos pela inviolabilidade, proteção do direito internacional, e Israel optou por violar isso", comentou ele.
As consequências do ataque ainda não foram totalmente reveladas, mas com base na própria reação e antecipação de Israel, podem ser bastante graves, segundo ele.
"isso poderia lançar não apenas a região, mas o mundo todo em caos, tumulto e conflito, tudo porque Israel decidiu que poderia operar acima da lei", advertiu o analista.
Quanto ao ataque à WCK, Ritter alegou que os trabalhadores humanitários foram alvos, porque seu trabalho interfere nos planos israelenses de retirar a população palestina de Gaza.
"As consequências dessa ação foram claras. Quase imediatamente, navios cheios de ajuda humanitária deram meia-volta e se recusaram a descarregar suas cargas vitalícias em Gaza com medo de serem atacados por Israel", disse ele.
Por conta do ataque, a organização suspendeu suas operações no enclave. As vítimas são cidadãos de Austrália, Polônia, Reino Unido e Palestina, além de uma pessoa com dupla cidadania dos Estados Unidos e do Canadá, segundo o comunicado oficial.
A equipe da WCK percorria uma zona livre de hostilidades em dois veículos blindados com o logotipo da organização, além de um terceiro veículo. O comboio, embora coordenasse os seus movimentos com as Forças de Defesa de Israel (FDI), foi atingido na saída do armazém, depois de descarregar mais de 100 toneladas de alimentos enviados a Gaza por via marítima.
Benjamin Netanyahu disse que o ataque foi involuntário e não permitiria que acontecesse novamente, mas fez a observação de que essas situações acontecem "em tempos de guerra".
"Esses crimes continuarão enquanto for permitido que Israel opere sem enfrentar nenhuma consequência - enquanto os Estados Unidos continuarem a fornecer cobertura diplomática para Israel no Conselho de Segurança das Nações Unidas -, enquanto o mundo estiver disposto a fechar os olhos para os crimes cometidos pelo governo de Benjamin Netanyahu", concluiu Ritter.
Já o ataque aéreo israelense à representação iraniana em Damasco matou sete pessoas, entre elas dois generais.
O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, classificou anteriormente o ataque como um "crime injusto" cometido pelo Estado judeu, advertindo que tal ação "não ficará sem resposta".