Documentos de licitação pública recentes, citados pela mídia, mostram a manobra chinesa em meio à forte restrição norte-americana para o acesso a semicondutores e outras tecnologias por parte de Pequim.
Segundo a mídia, fornecer acesso a esses chips ou modelos avançados de IA por meio da nuvem não é uma violação das regulamentações dos EUA, já que apenas exportações ou transferências de uma mercadoria, software ou tecnologia são regulamentadas.
"A Amazon Web Services [AWS] cumpre todas as leis aplicáveis dos EUA, incluindo leis comerciais, em relação ao fornecimento de serviços da AWS dentro e fora da China", disse um porta-voz do departamento de nuvem da Amazon ouvido pela mídia.
Uma análise da Reuters — contendo mais de 50 documentos de licitação publicados no ano passado em bancos de dados chineses disponíveis publicamente — mostrou que pelo menos 11 entidades chinesas buscaram acesso a tecnologias ou serviços de nuvem restritos dos EUA.
Entre elas, quatro nomearam explicitamente a AWS como provedora de serviços em nuvem, embora tenham acessado os serviços por meio de empresas intermediárias chinesas, e não diretamente da AWS.
A Amazon ofereceu às organizações chinesas acesso não apenas a chips avançados de IA, mas também a modelos avançados de IA, como o Claude, da Anthropic, aos quais não teriam acesso de outra forma, de acordo com posts públicos, licitações e materiais de marketing analisados.
A Universidade de Shenzhen, por exemplo, gastou US$ 27.996 (R$ 153 mil) em uma conta AWS, através de um intermediário, para obter acesso a servidores em nuvem alimentados por chips Nvidia A100 e H100 para um projeto não especificado, de acordo com um documento de licitação de março.
Os documentos da licitação mostram a amplitude de estratégias que as entidades chinesas estão empregando para garantir poder de computação avançado e acessar modelos de IA generativos. Eles também ressaltam como as companhias dos EUA estão capitalizando a crescente demanda da China por poder de computação.