Panorama internacional

Cultura, ciência e língua: conheça as conexões de Brasil e China

É normal nutrir aquele pensamento de "ano novo, vida nova" em toda virada. Nesta época de festas, é inevitável estabelecer metas: trabalhar mais, gastar menos com besteiras, ver mais os amigos… Brasil e China, por sua vez, têm um objetivo bem-definido para 2026: aproximar seus povos.
Sputnik
Em busca do fortalecimento da parceria bilateral para além do comércio, Brasília e Pequim farão de 2026 o Ano da Cultura Brasil-China, com o objetivo de aquecer o turismo entre as duas nações e aumentar a conexão dos povos, encurtando os 15 mil quilômetros entre os países.
Nesta lista feita pela redação da Sputnik Brasil, descubra o que há de China no Brasil e o que há de Brasil na China.

Mandarim para brasileiros

Um dos maiores obstáculos para a conexão entre Brasil e China, além da distância, é, obviamente, a língua. Sem sequer compartilhar o mesmo alfabeto, a comunicação entre os dois povos precisa de uma ajuda, que em território brasileiro se manifestou por meio do Instituto Confúcio.
A instituição, que leva o nome do notório pensador e professor chinês, está presente em universidades públicas e privadas nas cinco regiões do Brasil. O Instituto Confúcio atua em outros 145 países e visa apresentar a cultura chinesa por meio do ensino da língua.
Por outro lado, os chineses também estão aprendendo a entender o que falam os brasileiros. Segundo levantamento do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), ao menos 50 universidades da China possuem aulas de língua portuguesa.
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Cooperação acadêmica

Ainda no campo do ensino, Brasil e China possuem 155 acordos de educação superior em andamento, os quais envolvem 39 universidades em ambos os países, segundo o Ministério da Educação brasileiro.
O governo de Pequim, por sua vez, também promove o programa Conselho Chinês de Bolsas (CSC, na sigla em inglês), que oferece oportunidades de graduação em 274 universidades da China para estrangeiros, incluindo brasileiros.
No contexto do BRICS, Brasília e Pequim também participam da Rede de Universidades do BRICS (BRICS-NU, em inglês), criado em 2015 para fomentar pesquisas conjuntas, mobilidade acadêmica e programas educacionais em áreas temáticas de interesse comum entre os países.

Integração cultural

Se aqui no Brasil não temos uma cidade ou estado conhecido por falar mandarim, a China possui a região administrativa de Macau, que tem o português como uma das línguas oficiais. E é lá que o festival Encontro em Macau - Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa celebrou essa conexão com a cultura lusófona, tendo como uma das atrações da festa a cantora brasileira Vanessa da Mata.
Aqui no Brasil, uma das ruas mais famosas de São Paulo, a 25 de Março, recebe o Festival da Lua Chinês, que teve sua terceira edição realizada no último mês de outubro. Uma das áreas com maior concentração de chineses no Brasil, a região do centro comercial paulistano é tomada por apresentações de danças folclóricas, oficinas e até demonstrações de artes marciais.
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Artes sino-brasileiras cruzarão o mundo

No âmbito do Ano da Cultura Brasil-China, os governos dos países organizarão exposições nacionais em solo estrangeiro para a exibição de artes que contam parte da história de cada nação.
A China receberá uma exposição chamada "O Brasil de Portinari", que será exibida no Museu Nacional da China, em Pequim. Os cariocas, por sua vez, terão a oportunidade de visitar a mostra "Sabores da Tradição: Histórias da Alimentação na China Antiga", no Museu Histórico Nacional. Ambos os eventos acontecerão entre maio e agosto de 2026.

Audiovisual em destaque

Com o cinema brasileiro em destaque internacional, por obras como "Ainda estou aqui" e "O agente secreto", o audiovisual das duas nações não poderia ficar fora desta conexão intercontinental.
No Rio de Janeiro, é realizada a Mostra de Cinema China Brasil, que celebra a diversidade cultural e cinematográfica entre os dois países e permite que brasileiros tenham acesso a filmes que dificilmente chegam às salas comerciais.
Essa união do audiovisual sino-brasileiro deve ganhar força nos próximos anos, após Brasília e Pequim assinarem, em novembro de 2024, um memorando para cooperação no setor. O acordo visa ampliar oportunidades de parceria entre cineastas dos dois países e fortalecer a amizade entre os povos, além de promover obras nacionais da China no Brasil e vice-versa.
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