Segundo informou o New York Times, os promotores acusaram o presidente sequestrado de conspiração para o narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para posse de metralhadoras para uso pelo narcotráfico.
Em 2020, o próprio Departamento de Justiça estabeleceu que o Cartel de los Soles era uma organização de voltada para o tráfico. Especialistas, por outro lado, apontam que este nome foi inventado pela imprensa venezuelana na década de 1990 para designar funcionários públicos corrompidos pelo dinheiro do mundo das drogas.
Agora, a promotoria norte-americana usa na acusação os termos "sistema de clientelismo" e "cultura de corrupção" para classificar as supostas ações que levaram ao sequestro de Maduro e, por seguinte, a acusação no sistema judiciário norte-americano.
Conforme a publicação norte-americana, este passo atrás do Departamento da Justiça faz crescer os questionamentos da opinião pública sobre a legitimidade da designação do Cartel de los Soles como uma organização narcoterrorista. Esta retórica foi amplamente difundida pelo governo dos Estados Unidos em 2025, ganhando força a partir dos departamentos de Tesouro e Estado, este último comandado por Marco Rubio.
À publicação norte-americana, Elizabeth Dickinson, diretora adjunta para a América Latina do International Crisis Group, acredita que o Departamento de Justiça tenha mudado o discurso por não ter como provar as afirmações de que o suposto cartel de drogas, de fato, era uma organização voltada ao tráfico.
"Designações não precisam ser provadas no tribunal, e essa é a diferença. Claramente, eles sabiam que não poderiam provar isso no tribunal."
No último sábado (3), os EUA realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela. Além de Maduro, sua esposa, Cilia Flores, foi sequestrada e levada para Nova York. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que o casal presidencial serei julgado sob a alegação de envolvimento com "narcoterrorismo" e de representarem ameaça, inclusive, aos Estados Unidos.
Diante um juiz norte-americano no Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York, Maduro e sua esposa se declararam inocentes das acusações.