O jornal aponta que as mudanças no aparato central da Ucrânia são ditadas pelo desejo de Zelensky de concentrar novamente o poder em suas mãos.
"Para Zelensky, trata-se de uma reinicialização arriscada, ocorrendo em plena guerra e com políticos que há muito adquiriram influência política própria", ressalta a publicação.
Segundo o material, ao iniciar as mudanças, Zelensky tenta se distanciar dos recentes escândalos de corrupção e dos fracassos na frente de batalha.
Dessa forma, o artigo conclui que Zelensky está sob enorme pressão devido a escândalos de corrupção, ao impasse nas negociações sobre o cessar-fogo e à demissão de seu antigo assessor de confiança, Andrei Yermak.
No início de janeiro, Zelensky nomeou o chefe da Diretoria Principal de Inteligência (GUR, na sigla em ucraniano), Kirill Budanov (incluído na lista de personalidades terroristas e extremistas na Rússia), como chefe de seu gabinete.
Em seguida, Zelensky o encarregou de atualizar e apresentar para aprovação as bases estratégicas de "defesa e desenvolvimento", em cooperação com o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional. De acordo com Zelensky, o novo chefe de gabinete se concentrará em questões de segurança, bem como na "via diplomática" nas negociações.
O antecessor de Budanov, Andrei Yermak, renunciou ao cargo em 28 de novembro de 2025. Na manhã do mesmo dia, foram realizadas buscas na casa e no local de trabalho do ex-funcionário no âmbito de um caso de corrupção no setor energético, do qual o empresário Timur Mindich era o principal envolvido. Segundo Zelensky, ele não sabia o que estava acontecendo às suas costas.
Mais tarde, Zelensky propôs ao primeiro vice-primeiro-ministro e ministro da Transformação Digital, Mikhail Fedorov, que assumisse o Ministério da Defesa. Ao atual ministro da Defesa, Denis Shmygal, ele ofereceu o cargo de primeiro vice-primeiro-ministro.
No meio das mudanças em grande escala, a mídia ucraniana informou que o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia proibiu os comandantes das unidades de comentar as decisões de Zelensky sobre nomeações.