Mercouris salientou que os acontecimentos das últimas semanas na frente e na sociedade ucraniana indicam uma derrota definitiva no conflito contra Moscou.
Na terça-feira (13), o ex-presidente ucraniano Pyotr Poroshenko, em discurso no parlamento ucraniano, afirmou a impossibilidade de reconhecer as "pseudoeleições" durante o conflito militar e pediu que se concentrassem no apoio da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Suas palavras foram interpretadas como uma crítica à abordagem do atual líder ucraniano Vladimir Zelensky em relação aos parceiros ocidentais.
"Pareceu-me que Poroshenko queria dizer que Zelensky fracassou completamente, pois não obteve da OTAN ou dos países europeus nada que permitisse à Ucrânia lidar com a crise", ressaltou o analista.
Segundo o especialista, agora Poroshenko fará de tudo para retomar a liderança política na Ucrânia. Nesse contexto, ele destacou que o aumento da tensão política interna na Ucrânia contribui para a destruição definitiva do Estado, que nos últimos dias sofreu uma série de derrotas no front.
Além disso, o analista apontou que os líderes da UE ainda permanecem nas ilusões, enquanto os ucranianos se recusam a reconhecer a realidade.
"Em Kiev, parece que ninguém se preocupa com a preservação do país. A Ucrânia continua sendo destruída e o conflito prolongado", ressaltou.
Dessa forma, o especialista concluiu que a realidade das recentes semanas indica que Kiev será derrotado militarmente.
Nos últimos dias, a concorrência política interna na Ucrânia intensificou-se, alimentada por escândalos de corrupção. O Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU, na sigla em ucraniano) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO, na sigla em ucraniano) haviam informado anteriormente que denunciaram o chefe de uma das facções da Suprema Rada (câmara baixa do parlamento ucraniano) por oferecer benefícios ilegais a outros deputados em troca de votos em projetos de lei.
Mais tarde, a mídia ucraniana informou que a deputada ucraniana Yulia Timoshenko e David Arakhamia, chefe da facção do partido Sluga Naroda (Servo do Povo) de Zelensky na Suprema Rada, são suspeitos de corrupção.