A descoberta foi feita pelo investigador Carlos Natário durante trabalhos de prospecção e monitorização de jazidas paleontológicas no concelho de Torres Vedras, no distrito de Lisboa. O ninho, encontrado em arenito granuloso — um tipo de sedimento considerado raro — chamou a atenção dos especialistas pelas dimensões reduzidas e pelo estado de preservação.
Segundo a Sociedade de História Natural de Torres Vedras, as características gerais dos ovos e a porosidade das cascas indicam que a postura pode ter sido feita por um dinossauro carnívoro. A organização dos fósseis também sugere que não se trata de uma acumulação por arrastamento, mas de um ninho preservado no local original.
As observações preliminares mostram ainda que quase todas as crias eclodiram. De acordo com o investigador Bruno Camilo, diretor da sociedade e membro do Instituto Superior Técnico, a migração das cascas para o interior dos ovos, com pouca dispersão lateral, reforça essa interpretação. Ele ressalta, porém, que podem existir vestígios de embriões ainda ocultos pelo sedimento.
Outro ponto que intriga os paleontólogos é a possibilidade de que os ovos estivessem semienterrados, ao contrário de outros ninhos já encontrados em Portugal, que sugerem posturas à superfície. O tipo de sedimento pode indicar que o ninho foi construído próximo à margem de um antigo rio.
Os fósseis serão agora estudados em laboratório, onde passarão por tomografia computadorizada. A técnica permitirá visualizar o interior dos ovos em três dimensões e verificar se há restos de embriões preservados, o que pode fornecer novas pistas sobre o desenvolvimento dos dinossauros carnívoros do Jurássico Superior.
Portugal é um dos poucos locais do mundo com registros de ovos e ninhos de dinossauros desse período. A descoberta reforça a relevância paleontológica da região de Torres Vedras e amplia o conhecimento sobre o comportamento reprodutivo desses animais que habitaram o território há milhões de anos.