Sem citar do ministro na nota, a ADPF afirmou que os delegados têm enfrentado "cenário de caráter manifestamente atípico" e que suas prerrogativas "vêm sendo indevidamente mitigadas".
Ao salientar que o papel do STF é de exercer a jurisdição constitucional, e dos delegados da PF, a "condução da investigação criminal", o texto critica as decisões judiciais de Toffoli.
"Há notícias de que decisões judiciais vêm determinando a realização de acareações, prazos exíguos para buscas e apreensões, bem como para inquirições, à margem do planejamento investigativo estabelecido pela autoridade policial".
Nesta semana Toffoli diminuiu de cinco para dois dias o prazo para a PF ouvir os investigados no caso, além de determinar que as oitivas fossem colhidas no prédio da Corte, algo não usual.
O ministro também mandou que as provas obtidas na Operação Compliance Zero fossem enviadas para as dependências do Supremo. Diante da repercussão negativa, o ministro voltou atrás e colocou a Procuradoria-Geral da República como responsável pela primeira análise do material junto com alguns peritos da PF.
"Tal cenário, de caráter manifestamente atípico, além de causar legítima perplexidade institucional, implica afronta às prerrogativas legalmente conferidas aos delegados de Polícia Federal para a condução técnica, imparcial e eficiente da investigação criminal, comprometendo, inclusive, a adequada e completa elucidação dos fatos em apuração", diz a nota.
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o caso do Banco Master pode ser considerado "a maior fraude bancária do país" e pediu cautela na apuração do esquema.
Em conversa com jornalistas, Haddad afirmou que é preciso dar chance à defesa dos acusados para se posicionar diante dos fatos apurados pela Polícia Federal, ao mesmo tempo em que é necessário agir com firmeza.
Haddad destacou que tem conversado diariamente com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que determinou a liquidação do Banco Master após investigações apontarem fraudes na venda de carteiras de crédito da instituição para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões.
Em novembro de 2025, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal durante a operação Compliance Zero acusado de emitir títulos de crédito falsos.
As investigações da PF foram iniciadas em 2024, após pedido do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira, vendidos a outro banco e, "após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada", disse a PF.
A 10ª Vara Federal de Brasília determinou o bloqueio e a arrecadação de bens do BRB, do Banco Master e de diversos executivos investigados na Compliance Zero.