A descoberta ocorreu na área de White Peak, em Staffordshire, e chamou atenção imediata pela qualidade dos fósseis: conchas de goniatites, cefalópodes extintos aparentados a lulas e polvos. O nível de detalhe visível nas marcas e padrões das conchas surpreendeu a equipe, que afirmou nunca ter encontrado algo semelhante na região.
O guarda David Ward relatou que, ao ver os fósseis pela primeira vez, pensou que os padrões haviam sido desenhados à mão, tamanha a nitidez das linhas onduladas no calcário. Embora o Peak District seja rico em fósseis, a maioria aparece fragmentada ou incompleta, o que torna esses exemplares intactos extremamente raros.
Descoberta arqueológica feita pelo National Trust revela fósseis incríveis de 340 milhões de anos encontrados inesperadamente
Para evitar danos, coleta ilegal ou vandalismo, o National Trust — uma das maiores organizações de preservação do patrimônio histórico e natural do Reino Unido — decidiu manter em sigilo a localização exata da parede onde os fósseis foram encontrados. A descoberta rapidamente atraiu o interesse de especialistas, entre eles a paleontóloga Susannah Lydon, da Universidade de Nottingham, que destacou que os goniatites prosperaram em mares tropicais rasos durante o período Carbonífero.
As conchas desses animais afundavam no fundo do mar após sua morte e eram soterradas por sedimentos, passando por milhões de anos de pressão e mineralização até se transformarem em fósseis. Lydon comparou os goniatites aos amonites, mais conhecidos do público e encontrados em locais como Whitby e Lyme Regis.
Além do valor científico, os fósseis têm importância cultural e educativa. Segundo Lydon, descobertas locais ajudam comunidades a compreender a profundidade temporal de seus territórios e a relação humana com ambientes em constante transformação ao longo da história geológica da Terra.