Panorama internacional

Abandono como prêmio: aliados que os EUA descartaram após servirem de marionetes

A Sputnik Brasil lista exemplos que refletem o modus operandi de Washington de descartar aliados após alcançarem seus objetivos.
Sputnik
É notório entre analistas internacionais que em política não há amizades, mas sim interesses em jogo. Porém, no caso dos EUA, o conceito de aliado sempre foi bastante volúvel, com inúmeros parceiros sendo usados como marionetes de Washington ao longo da história.
Um exemplo foi a Europa, que após seguir à risca a cartilha dos EUA de apoio à Ucrânia, se jogando à recessão econômica, foi descartada por Washington, que prefere dialogar diretamente com grandes potências.
O episódio não é surpreendente. Reflete o modus operandi norte-americano de usar e descartar aliados após alcançarem seus interesses. Confira abaixo alguns deles.

Curdos

Dentre os casos mais recentes de aliados abandonados pelos Estados Unidos estão os curdos. Em janeiro deste ano, o Exército da Síria lançou uma ofensiva contra Rojava, região curda que alcançou a autonomia durante a guerra civil no país, para incorporá-la de fato ao Estado.
Após anos de aliança entre Washington e as Forças Democráticas Sírias, aliança militar curda comandada por Mazloum Abdi, a Casa Branca abandonou, militar e diplomaticamente, os curdos.
Em 2019 o então presidente sírio Bashar Al-Assad já havia alertado aos curdos que aprendessem com a história e percebessem que os Estados Unidos não os carregavam no coração, mas sim em seu bolso.

Vietnã do Sul

A divisão do Vietnã em dois Estados foi um dos episódios mais marcantes da Guerra Fria e sua divisão de mundo em dois polos.
Consolidada em 1954, nos Acordos de Genebra, a divisão criou a República Democrática do Vietnã, popularmente chamada de Vietnã do Norte e apoiada pela União Sovética, e a República do Vietnã, apelidada de Vietnã do Sul e apoiada pelos Estados Unidos.
A partição, no entanto, logo derrocou em uma guerra civil na qual os Estados Unidos abandonaram não uma, mas duas vezes, o governo sul-vietnamita. Na primeira, em 1963,, divergências com o primeiro presidente do Vietnã do Sul, Ngo Dinh Diem, fizeram Washington abandonar o antigo aliado em meio a um golpe de Estado.
Já na segunda em 1973, com a guerra civil mais avançada e a porção sul dependente inteiramente da ajuda norte-americana, Washington assina os Acordos de Paris, se retirando do conflito. Dois anos mais tarde, Saigon cai e a porção sul é incorporada ao Vietnã do Norte.

Afeganistão

Após exercer o controle sobre Cabul por duas décadas, em agosto de 2021 os Estados Unidos concluíram a retirada de suas forças do Afeganistão. Em poucos dias o governo afegão colapsa frente o rápido avanço do Talibã e, aliados afegãos da Casa Branca como o ex-presidente Ashraf
Ghani fogem rapidamente do país
.
Mas não são só políticos de porte que se veem com pressa para sair do país. Informantes, membros do governo e intérpretes são vistos nos aeroportos de Cabul tentando embarcar diante da chegada do Talibã, evidenciando mais um caso clássico do abandono de Washington após concluir mais uma aventura no exterior.

Venezuela

Nos país sul-americano da Venezuela, dois episódios recentes ilustram como age Washington frente seus aliados.
Em 2019 a Casa Branca costura internacional o reconhecimento de Juan Guaidó como autoproclamado presidente venezuelano, apostando que as sanções fariam o governo colapsar e se reunir em torno dele em busca de alívio. Quando isso não ocorreu, aos poucos o político foi perdendo espaço na política norte-americana, sendo descartado alguns meses depois.
Já neste ano foi a vez de María Corina Machado, opositora do governo de Nicolás Maduro que apostou todas suas fichas nos Estados Unidos, chegando até mesmo a advogar por uma intervenção militar na Venezuela.
Machado foi recebida pelo establishment político norte-americano, recebendo atenção midiática. Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano e Mike Waltz, embaixador estadunidense na ONU, chegaram a assinar sua recomendação ao prêmio do Nobel da Paz
No entanto, quando seu desejo foi concretizado e Maduro foi sequestrado pelas Forças Armadas norte-americanas, não foi com ela que a Casa Branca escolheu trabalhar, mas sim com a então vice-presidente, e hoje presidente interina, Delcy Rodríguez, elogiada por Donald Trump pela cooperação.
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