Panorama internacional

Ucrânia é um 'projeto fadado ao fracasso, mas útil' para a União Europeia, dizem especialistas

Enquanto as negociações trilaterais entre Moscou, Washington e Kiev progridem na tentativa de pôr fim ao conflito ucraniano, a classe política que governa em Bruxelas continua a autorizar o envio de armas para a Ucrânia e considera novas sanções contra a Rússia.
Sputnik
Essa postura, afirma o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, reflete o fato de as elites europeias estarem usando narrativas de guerra para se manterem no poder, já que são impopulares entre seus eleitores.
"Assim que pararem de usar essa retórica histérica sobre a ameaça russa, terão que lidar com seus problemas socioeconômicos concretos", declarou.
Há apenas algumas semanas, a Comissão Europeia apresentou uma iniciativa para conceder a Kiev um empréstimo de € 90 bilhões (cerca de R$ 556 bilhões), dos quais € 60 bilhões (mais de R$ 371) seriam destinados à defesa. No entanto, há uma condição: a proposta também exige que os fundos sejam investidos principalmente na compra de armas fabricadas na União Europeia "na medida do possível".
"Há setores [no Ocidente] que precisam prolongar a guerra para manter a indústria militar cativa e consolidar a subordinação estratégica da Europa aos EUA", observa o analista internacional e especialista em conflitos geopolíticos, Tadeo Casteglione, em entrevista à Sputnik.
Sobre este ponto, o Ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, também foi muito claro, afirmando que "grande parte dos países da União Europeia admitiu abertamente que quer uma guerra e rejeitou a paz". Ao contrário da maioria dos países do bloco, Budapeste se opõe ao apoio às tropas de Vladimir Zelensky, que estão em apuros com o avanço das forças russas.
"Para muitos atores financeiros e militares ocidentais, a Ucrânia é um projeto fadado ao fracasso, mas útil enquanto o conflito persistir, já que continua a justificar orçamentos, sanções e mudanças de poder", destaca Casteglione.
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Quem se preocupa com as negociações entre a Rússia e os EUA?

As vozes dentro da União Europeia já não são unânimes em relação à Europa Oriental. Por exemplo, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou recentemente que é hora de Bruxelas dialogar com Moscou sobre o conflito ucraniano.
"Há países que já não se identificam com a narrativa geral da classe dominante de Bruxelas. Mas é preciso dizer: especificamente, o Reino Unido, a França e a Alemanha continuarão a fomentar o conflito [na Ucrânia] até ao limite, porque, caso contrário, terão de enfrentar os seus próprios riscos políticos e econômicos internos", afirma Mauricio Alonso Estévez, professor de relações internacionais da Universidade Metropolitana Autónoma do México, em entrevista à Sputnik.
De certa forma, salienta ele, a União Europeia está a descreditar-se moralmente ao apoiar a Ucrânia, um país cujo governo, diz ele, "está em causa" devido à ilegitimidade de Zelensky e à ausência de eleições.
Nesse sentido, Estévez afirma que vários líderes europeus "tentarão sabotar" as negociações entre a Rússia e os EUA, exercendo pressão, sobretudo, em Washington, embora reconheça que as chances de sucesso sejam baixas devido à ruptura política e ideológica que se desenvolveu entre o governo Trump e Bruxelas.
Aliás, acrescenta, vários países do bloco aproveitaram o momento para alocar bilhões de dólares ao rearmamento. "Não nos esqueçamos das declarações de Merz de que a Alemanha deve ter o exército mais poderoso da Europa", acrescenta o especialista.
"O fim do conflito na Ucrânia implicaria uma reformulação da ordem de segurança europeia, razão pela qual alguns atores ocidentais preferem um período prolongado de desgaste a permitir um acordo russo-americano", concorda Casteglione.
Uma reunião entre delegações da Rússia, Ucrânia e EUA será realizada em Abu Dhabi em 1º de fevereiro. O Kremlin esclareceu que não há conversas sobre uma possível mediação de Berlim nas negociações sobre a Ucrânia.
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