A ajuda direta de US$ 6 milhões (R$ 31,3 milhões) à população cubana anunciada pelos EUA é uma medida "com objetivos políticos extremamente oportunistas". É o que afirmou o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, neste sábado (7), em postagem na rede social X.
"O que define a atitude do governo dos EUA em relação a Cuba e ao nosso povo é a guerra econômica implacável e prolongada que várias gerações de cubanos têm vivenciado. Essa política de agressão e bloqueio precisa mudar. Não se trata de uma oferta tardia, limitada e superfaturada de ajuda material a um grupo de pessoas com objetivos políticos extremamente oportunistas", escreveu Rodríguez.
Na quinta-feira (5), o Departamento de Estado dos EUA anunciou a ajuda direta à ilha, com envio feito em cooperação com a Igreja Católica local e sua organização humanitária oficial (Cáritas). A assistência será dividida em duas remessas de US$ 3 milhões (R$ 15,6 milhões), enviadas de Miami para serem distribuídas em Cuba por representantes das paróquias locais.
A assistência é anunciada paralelamente à ordem executiva assinada em 29 de janeiro, pelo presidente estadunidense, Donald Trump, que autorizou a imposição de tarifas sobre as importações de países que vendem ou fornecem petróleo a Cuba.
O governo cubano classificou a medida como "bloqueio energético" e disse que ela tem como objetivo sufocar a economia da ilha e tornar insuportáveis as condições de vida de seus cidadãos. Para impedir a escassez de combustíveis, vários ministérios cubanos anunciaram racionamento de energia.
Mais cedo, também em postagem na plataforma X, Rodríguez condenou os EUA por não prorrogarem o Tratado de Redução de Armas Estratégicas, popularmente chamado de Novo START. Segundo o chanceler, Washington prefere "relançar a corrida armamentista e o uso da força" em vez de preservar a paz e a segurança internacional.
"É urgente respeitar o Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares (TPAN), que garante a eliminação total das armas nucleares de forma transparente, verificável e irreversível", escreveu Rodríguez.