Na avaliação do analista, o desejo do Exército norte-americano de criar equipamentos cada vez mais avançados tem levado a atrasos catastróficos e falhas na implementação de programas prolongados demais.
"Além das dificuldades de engenharia, uma base industrial concentrada e uma burocracia avessa ao risco retardaram o desenvolvimento a um ritmo de caracol", afirma Osborn.
O observador militar destacou que, em quase todos os ramos das Forças Armadas dos EUA, o desenvolvimento de novos equipamentos demora muito, custa muito mais do que o previsto e, com frequência, entra em operação com especificações reduzidas ou compromissos técnicos.
Ele reforça essa crítica com exemplos de projetos ambiciosos que fracassaram ou enfrentaram graves problemas, como o contratorpedeiro da classe Zumwalt e o tanque leve M10 Booker. A modernização do tanque M1 Abrams SEP v4 e o programa inteiramente cancelado Future Combat Systems também integram a lista de iniciativas problemáticas.
As altas ambições tecnológicas das forças armadas norte-americanas têm repetidamente impedido a produção em escala e gerado entraves no desenvolvimento, bloqueando grandes projetos, como ocorreu com a entrada em serviço do porta-aviões USS Gerald R. Ford, recentemente empregado perto das costas da Venezuela.
O especialista ressaltou ainda que as forças armadas estadunidenses dependem fortemente de componentes eletrônicos comerciais, cuja evolução é muitas vezes mais rápida do que a do próprio complexo militar-industrial. Assim, quando um equipamento finalmente é certificado para uso militar, já pode estar desatualizado ou fora de linha no setor civil.
"Adaptabilidade, abordagem iterativa e velocidade são prioridades no campo de batalha atual, mas o setor de aquisições dos EUA, historicamente, teme ações arriscadas e os contratempos de curto prazo que delas podem resultar", afirmou.
Osborn enfatizou que as dificuldades enfrentadas pelos militares norte-americanos na criação de novas tecnologias não se devem apenas a erros de engenharia ou falta de visão estratégica.
Trata-se, segundo o especialista, do resultado de um sistema concebido para uma era anterior, quando as ameaças evoluíam lentamente, os orçamentos cresciam de forma previsível e os avanços tecnológicos podiam ser planejados com décadas de antecedência.