Após a detecção inicial do evento de ruptura de maré — quando um buraco negro despedaça uma estrela — o AT2018hyz parecia apenas mais um caso típico. Descoberto em luz visível pelo ASASS-SN em 2018, ele só voltou a chamar atenção anos depois, quando emissões de rádio inesperadamente intensas surgiram em 2022.
A nova pesquisa, publicada na Astrophysical Journal e liderada por Yvette Cendes, mostra que as emissões continuam crescendo entre 1.370 e 2.160 dias após a ruptura. Os cientistas destacam que as curvas de luz seguem em ascensão em todas as frequências, comportamento considerado altamente incomum para esse tipo de fenômeno.
O aumento contínuo levou os pesquisadores a propor dois cenários possíveis: um fluxo de saída esférico lançado tardiamente — cerca de 620 dias após o evento — ou um jato astrofísico fora do eixo, cuja emissão só se tornaria visível após desaceleração e espalhamento relativístico. Ambos os modelos tentam explicar o brilho crescente observado.
Segundo o estudo, o buraco negro está hoje cerca de 50 vezes mais brilhante do que no momento da detecção inicial. A energia liberada se aproxima da de explosões de raios gama, as mais intensas do Universo, colocando o AT2018hyz entre os eventos mais energéticos já registrados.
Os autores comparam a potência do fenômeno à Estrela da Morte de Star Wars: estimativas sugerem que o buraco negro emite ao menos um trilhão de vezes mais energia do que a arma fictícia — podendo chegar a cem trilhões. Ainda assim, os cientistas ressaltam que apenas observações contínuas poderão refinar esses cálculos.
A descoberta levanta a possibilidade de que outros eventos de ruptura de marés apresentem comportamento semelhante, mas a falta de buscas sistemáticas impede conclusões. Cendes afirma que o caso deve impulsionar novas propostas de observação. O AT2018hyz, porém, já se destaca por sua luminosidade extrema e deve continuar sendo monitorado em múltiplas frequências até seu pico previsto para 2027.