Os mandados foram cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O rastreamento feito pela Receita permitiu identificar acessos indevidos, quanto tempo durou a visualização das páginas e se os dados do Fisco foram baixados ou impressos.
O mapeamento dos acessos também levou em conta as pessoas que tinham autorização para entrar no sistema por meio de procuração. Foi com base nessa informações que a operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A esposa de Moraes, a advogada Viviane Barsi, foi uma das vítimas. Seu escritório foi contratado pelo banco Master por R$ 3,6 milhões mensais para auxiliar na defesa dos interesses da instituição, de acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo em dezembro.
Outros integrantes da Corte também foram informados que dados de familiares foram consultados irregularmente.
A Receita Federal encontrou indícios de que um servidor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) cedido ao Fisco está envolvido na quebra de sigilo, lotado no Rio de Janeiro.
O funcionário já era alvo de outra investigação da corregedoria da Receita e da Polícia Federal sobre vazamento de dados e teria acessado irregularmente os sistemas da Receita e entregue dados para outras pessoas.
De acordo com matéria do jornal Folha de São Paulo, um robô foi utilizado para fazer o levantamento nos sistemas e verificar a quebra de sigilo de ministros e seus familiares que acessou dados de mais de 100 pessoas.
O ministro determinou medidas cautelares contra os investigados, incluindo: afastamento das funções públicas, proibição de acessar os sistemas da Receita, uso de tornozeleira eletrônica, quebra de sigilos e cancelamento de passaportes
Moraes já havia determinado que a Receita rastreasse qualquer consulta ou tentativa de acesso envolvendo integrantes do STF, além de esposas, filhos, irmãos e ascendentes, no âmbito do inquérito das fake news, que apura ataques coordenados contra integrantes da Corte nas redes sociais.