O especialista explicou que qualquer problema no estreito de Ormuz levará a flutuações em larga escala nos preços do petróleo, o que pode prejudicar o presidente norte-americano, Donald Trump, e o Partido Republicano nas próximas eleições e ser usado contra eles.
Ao mesmo tempo, a parte iraniana está ciente de que um conflito armado resultaria em consequências indesejáveis e graves.
"Eles [os iranianos] querem chegar a uma fórmula de compromisso para a paz, dentro da qual as condições necessárias serão atendidas, mas sem perder a honra", disse Hamid.
Segundo o pesquisador, tanto os EUA quanto os iranianos estão interessados em uma solução pacífica, já que as consequências da guerra seriam extremamente pesadas para eles.
Em última análise, ambos os lados chegarão a um acordo de compromisso pelo qual o Irã pode tentar obter uma alternativa à compensação nuclear, por exemplo, comprar urânio enriquecido a preço reduzido, o que seria uma espécie de compensação econômica.
Cenário de guerra
Por outro lado, o especialista em segurança Abdul Karim al-Wazzan, do Iraque, afirmou em entrevista à Sputnik que as tensões entre Irã e Washington estão se inclinando para a guerra, já que as divergências são muito graves.
"O desacordo é sobre o programa nuclear, e o Irã não concordará em voltar ao ponto zero. Além disso, o programa de mísseis também atingiu o nível de ameaça nuclear, e o Irã tem uma superioridade significativa no campo de mísseis", disse o especialista.
Ele enfatizou que, após a transferência de armas, equipamentos e navios e as medidas preparatórias realizadas perto de uma possível zona de conflito, os cenários prováveis incluem o assassinato de algumas figuras importantes no Irã, ataques a instalações ou protestos em massa com o envolvimento das forças da oposição.
Cenário de 'guerra sombra'
Já o especialista egípcio em combate ao terrorismo internacional e guerra de informação, Hatem Saber, disse que a crise entre EUA e Irã pode chegar a um ponto de solução, mas não será uma solução final, devendo representar, na sua opinião, uma gestão de conflito prolongado.
O cenário mais provável, na sua avaliação, será a continuação de uma escalada controlada ou a da chamada "guerra sombra", que implica que os Estados Unidos exerçam pressão sem guerra dispendiosa, enquanto o Irã procura esgotar seu oponente sem entrar em um confronto em grande escala.
Ele explicou que o verdadeiro nó das contradições consiste em quatro níveis inter-relacionados: o dilema da dissuasão nuclear, a luta pela influência regional, a crise de desconfiança histórica e a dimensão política interna, já que a hostilidade contra os EUA no Irã faz parte da legitimidade do regime.