O estudo sugere que quase 10% dos artigos sobre pesquisa em câncer publicados desde 1999 apresentam padrões textuais de "fábricas de artigos científicos", organizações que produzem ciência falsificada em escala industrial para obter lucro, com textos reciclados, redação inadequada ou dados e imagens fabricados.
Desenvolvido pela Faculdade de Saúde Pública e Serviço Social e do Centro Australiano de Saúde e Inovação (AusHSI), em colaboração com uma equipe internacional, o estudo analisou 2,6 milhões de pesquisas sobre câncer publicadas entre 1999 e 2024.
Nos últimos 20 anos, ao menos 400 mil artigos saíram dessas fábricas, de acordo com a pesquisa, que treinou um modelo de inteligência artificial para detectar quais pesquisas sobre câncer aparentam ter origem nessas fábricas.
Uma das razões do enfoque em câncer é que essa é uma das áreas em que as publicações fraudulentas já estão disseminadas.
O treinamento da máquina se baseou em 4.404 artigos. A metade eram publicações invalidadas por erros ou fraudes e relacionados a fábricas de artigos. A outra metade reunia artigos legítimos. As publicações também foram utilizadas para medir se um manuscrito tinha características comuns a artigos fraudulentos.
Principais descobertas da análise em larga escala:
Artigos sinalizados aumentaram passaram de cerca de 1% no início dos anos 2000 e atingindo um pico de mais de 16% em 2022.
O problema afeta milhares de periódicos das principais editoras, incluindo títulos de alto impacto.
A questão é mais concentrada em áreas como biologia molecular do câncer e pesquisa laboratorial em estágio inicial.
Alguns tipos de câncer, incluindo os de estômago, fígado, osso e pulmão, apresentam taxas especialmente altas de artigos suspeitos.