Panorama internacional

'Saímos com transferência de tecnologia', à Sputnik Brasil, ministro da Saúde avalia visita à Índia

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou em entrevista à Sputnik Brasil, durante viagem à Índia, que o país deve firmar uma série de acordos voltados à transferência de tecnologia e à produção nacional de medicamentos de alta complexidade, como biológicos para câncer, vacinas e peptídeos usados no tratamento de diabetes e obesidade.
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"O Brasil quer aproveitar o crescimento da indústria farmacêutica e de tecnologia da saúde da Índia e atrair essas empresas para parcerias com instituições brasileiras para transferir tecnologia e produzir no país as medicações, as vacinas e as tecnologias que o nosso povo mais precisa", declarou.

A delegação brasileira reúne integrantes do governo e empresários de empresas públicas e privadas. "Mobilizamos também empresários brasileiros de empresas públicas e empresas privadas brasileiras que estão aqui para firmar parcerias, levar investimentos para o Brasil e mais acesso aos medicamentos ao povo brasileiro"
Padilha afirmou que serão assinadas parcerias entre empresas indianas e laboratórios públicos brasileiros, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Bahia Pharma, além de acordos entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a agência reguladora indiana para dar mais agilidade à incorporação de tecnologias. Ele lembrou à reportagem que hoje o Brasil só produz insulina graças a uma parceria com a Índia.

"As parcerias de transferência de tecnologia que nós assinaremos aqui significam uma nova realidade para o Brasil produzir medicamentos que não produzia para o câncer, doenças autoimunes", afirmou.

O ministro da Saúde também citou a expectativa de acordos para produção de peptídeos. "Além disso, nós temos expectativa de assinar parcerias na produção no Brasil dos peptídeos, que são conhecidos como as canetas emagrecedoras, medicamentos que hoje são utilizados para o diabetes e para o enfrentamento à obesidade".
Ao justificar a escolha da Índia como parceiro estratégico, o ministro foi direto: "E por que a Índia? Exatamente por ser uma potência farmacêutica hoje. A Índia é uma grande potência farmacêutica, tem uma capacidade de produção de novas tecnologias na saúde, tem uma expansão muito importante na saúde digital".
Segundo ele, os acordos devem fortalecer a produção nacional e ampliar a autonomia brasileira no setor de saúde.
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Liderança na produção de vacinas no Sul Global

O ministro também relacionou as parcerias ao fortalecimento da cooperação no âmbito do BRICS. Segundo ele, a presidência brasileira do bloco priorizou a criação de uma parceria estratégica para enfrentar determinantes sociais da saúde.
"Brasil, Índia, África do Sul, China e Rússia podem liderar o Sul Global na produção de vacinas, especialmente para doenças que mais afetam esses países", afirmou.
Padilha citou a vacina brasileira contra a dengue, desenvolvida no país, e a possibilidade de ampliar a produção em parceria com a China. Também mencionou a vacina contra febre amarela e negociações com empresas indianas para escalar a oferta ao Sul Global.
"Estamos articulando parcerias com empresas indianas e chinesas para ampliar nossa autonomia na produção de vacinas para doenças respiratórias e outras enfermidades que afetam o mundo inteiro", declarou.
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