Panorama internacional

EUA e Europa querem 'performar' diplomacia, em vez de chegar à paz na Ucrânia, diz analista

Após dois dias de negociações trilaterais em Genebra, Suíça, a Rússia, os Estados Unidos e a Ucrânia parecem não ter avançado tanto na resolução do conflito, diz um analista ouvido pela Sputnik Brasil.
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Nesta quarta-feira (18), o assessor do Kremlin e chefe da delegação russa, Vladimir Mendinsky, afirmou após duas horas de discussões que as conversas foram difíceis, mas produtivas.
Para Éden Pereira, pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre África, Ásia e as Relações Sul-Sul da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nieass/UFRJ), o cenário revela que os avanços desta rodada foram menores do que as últimas, que acontecerem em Abu Dhabi.

"O que significa, na prática, que toda aquela imagem formada ao redor da cúpula de Anchorage, no Alasca, no que diz respeito a alcançar um acordo de paz [...] está ficando cada vez mais longe."

As negociações trilaterais são mais um passo que os países dão na tentativa de tentarem chegara o fim do conflito ucraniano. Entretanto, como aponta o pesquisador, Estados Unidos, Ucrânia e até mesmo a União Europeia (UE) — que se expressa através de Kiev —, parecem forçar a barra para um acordo fora da realidade.
De acordo com Pereira, Washington e Kiev coincidem em querer apenas "cessar-fogo", isto é, um encerramento dos confrontos abertos. Já a posição de Moscou é que, para chegar à uma verdadeira paz, é necessário haver uma discussão geral que abranja a questão da segurança do continente europeu como um todo.

"Para se chegar à paz, é preciso rediscutir novamente a questão da segurança coletiva. Só que, qual é o grande porém? Na parte dos europeus e na parte dos estadunidenses, não existe desejo de se fazer isso."

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Por parte dos norte-americanos, Pereira crê que estão desinteressados no assunto uma vez que preferem discutir as relações bilaterais diretamente com o Kremlin, deixando essa questão para ser resolvida entre os ucranianos e os europeus.
Se por um lado, a ideia faz sentido aos olhos da Casa Branca, do outro, pela lente da diplomacia internacional, os Estados Unidos falham em seu papel, realizando na verdade uma "falsa mediação".

"Na prática, o que nós estamos assistindo é uma demonstração de performance diplomática da parte dos EUA. Eles estão tentando, assim como em várias outras partes do mundo, tentando negociar e trazer a paz para uma série de conflitos."

Já por parte dos europeus, ainda há uma recusa em se discutir diretamente com Moscou. "Mas alguns já estão começando a pensar que é hora de começar a ceder, principalmente a França."
O analista completa ressaltando que a situação é reconhecida pelos diplomatas russos, que já colocaram abertamente que os europeus estão se preparando para a guerra.

"Quem está se preparando para a guerra não está, evidentemente, querendo saber de negociações para pacificar e para desescalar."

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