As exportações brasileiras para a Índia alcançaram o maior valor já registrado em 2025, totalizando US$ 6,9 bilhões, o maior nos últimos 20 anos e um crescimento de 30% em relação a 2024.
Agora, com a abertura do escritório da ApexBrasil em Nova Deli, a relação entre os países entra em uma nova fase de resultados concretos, exemplificados pela agenda presidencial iniciada nesta quarta-feira com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao país.
Cinco setores em especial têm destaque na agenda do governo brasileiro para impulsionar a parceria em 2026, confira quais são.
Defesa
Um dos principais objetivos do governo brasileiro durante a visita ao país asiático é ampliar a cooperação em defesa, com foco em parcerias que envolvem transferência de tecnologia militar. Além de reforçar a soberania brasileira, os equipamentos podem ainda ser aplicados no combate ao crime organizado.
Por outro lado, a Índia é também um dos principais mercados para o setor, com grande potencial para impulsionar as exportações brasileiras. A Embraer, por exemplo, anunciou um acordo com o grupo Adani para a construção de aeronaves no país.
Segurança alimentar
Brasil e Índia são conhecidos por trazer a segurança alimentar como um dos principais temas de suas políticas domésticas e internacionais. É o caso do IBAS, grupo que inclui a África do Sul e que tem o tema como um dos pilares de suas ações, coordenando ações contra a fome em todo o mundo. Juntos, os países compartilham entendimentos sobre intercâmbio tecnológico e sobre soluções sustentáveis para a produção de alimentos.
Com uma população de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia é também um mercado estratégico para o Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Para ambos os países, o aprofundamento dessa relação através da integração de controles fitossanitários e das cadeias produtivas é vista como benéfica.
Inteligência Artificial (IA)
Um dos principais eixos da visita brasileira à Índia se refere ao tema da inteligência artificial (IA). A participação de Lula na Cúpula Impacto da Inteligência Artificial (IA), conferência que debaterá pesquisa, governança e infraestrutura para a IA.
Esta será quarta edição do evento, e a primeira em um país do Sul Global. Ambos os países defendem um uso responsável da ferramenta, com foco na promoção de inclusão digital e redução das desigualdades. Para ambos os países, embora o lucro das empresas tenha um papel principal, a IA antes de tudo deve ter uma função social.
Transição energética
A agenda da transição energética é estratégica para Brasil e Índia. Ambos têm metas ambiciosas de redução de emissões e grande potencial em fontes de energia limpa e renovável, como eólica, solar e biocombustíveis, o que abre margem para acordos.
Em 2023, durante o G20 em Nova Deli, Brasil, Índia e EUA lançaram a Aliança Global para Biocombustíveis, que visa acelerar a produção sustentável e o uso de biocombustíveis, com a meta global de triplicar a produção até 2050 para atingir emissões líquidas zero.
Minerais críticos e terras raras
Brasil e Índia têm, respectivamente, a segunda e a quinta maior reserva de terras raras. Isso posiciona ambos os países em uma posição de destaque na corrida global por minerais críticos.
Não à toa, o tema será um dos mais importantes da visita de Lula à Índia, com expectativa de acordos bilaterais no setor. A principal expectativa é que Lula e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, assinem um memorando de entendimento no setor voltado para pesquisa, extração, processamento e refino.