A Marinha do Brasil firmou, por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), um acordo com a Taurus Armas para desenvolver novos sistemas de armas leves, coletivas e, especialmente, drones armados.
A iniciativa ocorre em meio um foco da MB neste campo. No início do ano a Força Naval instituiu um centro de instrução para operações de aeronaves não tripuladas criou sua primeira esquadrão de drones, o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, ambos sob o guarda-chuva do fuzileiros navais.
Assinado no Rio de Janeiro no último dia 10 com institucional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o documento estabelece as bases de cooperação para adequar os novos equipamentos militares às diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa.
O Corpo de Fuzileiros Navais terá um papel central na definição dos requisitos técnicos. Como única tropa inteiramente composta por militares de carreira, eles deverão "traduzir a realidade do combate em requisitos técnicos", aponta um comunicado da MB.
Mais do que um acordo pontual, a parceria abre espaço para discussões sobre o fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira e sobre a incorporação de novas tendências tecnológicas, como a crescente “droneização” dos conflitos contemporâneos.
Como explica Pedro Paulo Rezende, analista militar, ainda que a parceria se refira a drones e munição vagantes, ou seja, itens de pequeno porte, os impactos são positivos uma vez que diminuirá a dependência de fornecedores estrangeiros, reduzindo a importação de equipamentos e componentes sensíveis e cobrem uma lacuna nas operações atuais das nossas forças.
“A Marinha pode utilizar esses armamentos em patrulhas pequenas, o que ampliaria a sua capacidade de dissuasão contra inimigos externos, uma vez que são armamentos guiados.”
"Em suma, é um avanço muito importante para a Marinha do Brasil. É só ver sobre o conflito na Ucrânia, que tanto a Rússia quanto a Ucrânia fazem uso intensivo desses equipamentos."
Rezende destaca ainda que a participação do BNDES no acordo representa um movimento relevante de financiamento estatal ao setor de defesa. Segundo ele, o banco há anos demonstra interesse em ampliar sua presença na indústria militar, especialmente na área de drones, mas ainda há desafios estruturais para que esse apoio gere resultados concretos.
"O problema é que ainda falta coordenação mais forte do Ministério da Defesa para que esse investimento seja realmente efetivo", avalia.
O analista afirma que o setor de drones no Brasil é "extremamente pulverizado", centenas de companhias de pequeno porte buscando espaço no mercado interno e externo, e com pouca integração industrial.
"Esse é um setor no qual ainda não entramos de forma organizada", atesta. Para ele, o desafio será organizar essa base produtiva e direcioná-la para projetos com aplicação militar real, evitando dispersão de recursos e sobreposição de iniciativas.
Sobretudo, o analista cita o Albatroz Vortex, um drone brasileiro de médio porte, como exemplo de que o país já possui iniciativas relevantes no setor e capacidade tecnológica própria para ser aproveitada. Segundo Rezende, o projeto demonstra que há base industrial nacional para avançar além dos drones leves.
"O Albatroz Vortex possui turbina desenvolvida por uma empresa de São José dos Campos e o modelo foi projetado pela Estela Concepts. É um projeto muito interessante", afirma. O especialista destaca que o programa é significativo por envolver motor a jato nacional e por representar um passo importante na consolidação de drones militares de maior porte no Brasil.