Segundo a publicação, uma equipe de pesquisadores liderada por Robin Wing, do Instituto de Física Atmosférica Leibniz, na Alemanha, usou um sensor a laser altamente sensível para detectar a fluorescência de vestígios de metais na mesosfera e na termosfera inferior.
Em 20 de fevereiro de 2025, eles registraram um aumento claro e repentino na concentração de íons de lítio provenientes de baterias de lítio e caixas metálicas artificiais usadas em satélites. Esses objetos diferem significativamente do material meteorítico natural.
Usando modelagem de trajetória atmosférica, eles rastrearam o momento e a altitude da liberação de lítio diretamente ao longo da trajetória de entrada atmosférica do estágio gasto do foguete Falcon 9, que queimou depois de atravessar a termosfera inferior em direção à mesosfera sobre o Oceano Atlântico, a oeste da Irlanda.
Esquema para detectar poluentes metálicos camadas altas da atmosfera durante a combustão de detritos espaciais
© Foto / Wing et al. Commun Earth Environ, 2026
Esta é a primeira evidência observacional de que os detritos espaciais que retornam à atmosfera deixam um traço químico detectável, criado pelo homem, nas camadas altas da atmosfera. Esta também é a primeira vez que a poluição do ar proveniente de um caso específico de detritos espaciais reentrando na atmosfera é registrada a partir da Terra.
Apesar de as camadas altas da atmosfera serem em grande parte não poluídas pela atividade humana, a nova era espacial está levando à emissão de quantidades crescentes de metais e outros poluentes provenientes de satélites, cascos de foguetes e detritos espaciais.
É importante notar que esta não é a primeira vez que os cientistas chamam a atenção para essa poluição atmosférica. Por exemplo, estudos de 2024 mostram que as emissões de alumínio e cloro associadas aos lançamentos de foguetes e sua reentrada na atmosfera podem retardar a recuperação da camada de ozônio.
Além disso, os cientistas alertam que até 2030, várias toneladas de material espacial serão queimadas na alta atmosfera todos os dias. Isso significa que a poluição química da atmosfera só aumentará em um futuro próximo.
Os pesquisadores defendem a criação de órgãos reguladores internacionais para trabalhar com governos e cientistas na formação de redes de monitoramento e instrumentos para rastrear mudanças na atmosfera causadas por essa nova ameaça.