Os relatos indicam que o bombardeio ocorre em meio à crescente tensão entre os dois países. Na semana passada, forças paquistanesas lançaram ataques aéreos nas províncias afegãs de Nangarhar e Paktika. De acordo com autoridades de Cabul, os bombardeios deixaram dezenas de civis mortos e feridos, incluindo mulheres e crianças.
Em resposta, o governo afegão anunciou o início de operações militares ofensivas em larga escala contra forças do Paquistão ao longo da fronteira comum, ampliando a escalada militar na região.
Mais cedo, Cabul confirmou que pelo menos 40 militares paquistaneses morreram nas operações. "Cerca de 40 soldados inimigos foram abatidos na área da província de Kunar. Os corpos de 13 deles foram retirados pelos mujahideen", escreveu o porta-voz do líder supremo do país, Zabihullah Mujahid, nas redes sociais.
Já o Ministério da Informação e Radiodifusão do Paquistão declarou que rebateu ataques "de forma imediata e eficaz" na província de Caiber Paquetuncuá, onde as forças afegãs sofreram "pesadas baixas e vários postos e equipamentos destruídos".
De acordo com o canal de televisão paquistanês Geo News, citando fontes, pelo menos 58 combatentes afegãos foram mortos nos confrontos, e mais de 100 ficaram feridos. Segundo o relatório, as forças paquistanesas também destruíram mais de 30 tanques, peças de artilharia e veículos blindados de transporte de pessoal afegãos.
Esse não é o primeiro confronto entre os dois países após a tomada de poder do Talibã em Cabul. Em outubro ano passado também foram registrado confrontos entre os dois países devido as ações do Talibã paquistanês.
O grupo, que age na fronteira entre os dois países, área de maioria étnica pachto, não é afiliado ao Talibã afegão. No entanto, para Islamabad Cabul não faz o suficiente para impedir que o grupo opere dentro das fronteiras afegãs.