Sindicatos argentinos articulam uma nova paralisação nacional nesta sexta-feira, dia em que o Congresso deve discutir dois projetos centrais para o governo Javier Milei. A mobilização ocorre em meio a uma greve paralela de trabalhadores da aviação por melhores salários, que deve afetar voos em todo o país ao longo da semana, ampliando o clima de tensão social.
No Senado, os parlamentares devem analisar a proposta que reduz a maioridade penal de 16 para 14 anos e votar as alterações feitas pela Câmara na reforma trabalhista. O governo, que conta com apoio de sua coalizão legislativa, tenta aprovar ambas as medidas a tempo de apresentá-las no discurso de abertura das sessões ordinárias de 2026, marcado para domingo (1º).
Segundo o G1, a expectativa é de protestos em frente ao Congresso, em Buenos Aires, cenário que historicamente termina em confrontos entre manifestantes e forças de segurança. O ambiente já vinha se deteriorando ao longo do mês, com diferentes categorias organizando paralisações e atos contra a agenda econômica e social do governo Milei.
A repressão aos protestos tornou-se um ponto sensível após o governo determinar, no dia 19, que a imprensa seguisse "medidas de segurança" durante as manifestações. A orientação, considerada incomum, foi interpretada como um sinal de endurecimento e de possível escalada na resposta policial aos atos previstos para as próximas semanas.
Em comunicado, o Ministério da Segurança argentino recomendou que jornalistas evitassem se posicionar entre focos de conflito e policiais, afirmando que as forças de segurança "agirão diante de atos de violência". A pasta também delimitou uma "zona exclusiva" para a imprensa nas ruas laterais da praça em frente ao parlamento, reforçando a percepção de que o governo se prepara para um cenário de confrontos.