Para Amorim, não se pode excluir o "pior cenário possível" em meio ao contexto em que a ação foi realizada. Após diversos bombardeios contra o Irã no último sábado (28), o governo confirmou a morte do líder supremo Ali Khamenei, além de várias autoridades civis e militares. Na sequência, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que o assassinato "é uma guerra aberta contra os muçulmanos, especialmente os xiitas em todas as partes do mundo".
"Eu acho que a gente não pode excluir o pior cenário dentro de um contexto desse, de uma guerra que envolve muitos países. Tem muitos países que, direta ou indiretamente, estão envolvidos e isso pode ter consequências gravíssimas, não só militares e de destruições, mas também econômicas", disse.
Entre elas, o assessor especial citou os impactos do fechamento do Estreito de Ormuz, região por onde pelo menos um terço do petróleo mundial é transportado, para o mercado internacional.
"O preço de petróleo vai para a lua e assim por diante. Então, quantas pessoas estarão envolvidas nisso? Quantas morrerão diretamente? Como vai ser a reação? Quantos civis vão sofrer? É muito simples você dizer que não encontrou uma solução, mas o difícil é você brigar pelo diálogo até encontrá-la. Isso é que é o difícil, isso é que é o mérito do ser humano", acrescentou.
Projeções de analistas do Goldman Sachs Group Inc. apontam que só o mercado europeu de gás pode enfrentar um salto expressivo de até 130% nos preços do produto caso a interrupção do tráfego de navios na região dure mais de 30 dias.
Questionado sobre o que a chancelaria brasileira pode fazer para amenizar as tensões no Oriente Médio, Amorim disse que o país pode contribuir para o diálogo entre as partes.
Encontro de Lula e Trump
Mais cedo, a CNN Brasil afirmou que aliados do presidente Lula querem que o líder brasileiro pressione o homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao ataque. A expectativa é que os dois líderes se encontrem em Washington ainda neste mês.
De acordo com a publicação, Lula não deveria perder a oportunidade de mostrar uma posição crítica firme do país contra a escalada militar no Irã. Inicialmente, o encontro está focado na agenda bilateral, como as tarifas comerciais e as relações entre Brasil e Estados Unidos.