Washington admite que o confronto com o Irã pode se estender por até quatro semanas, e essa previsão reacendeu o debate sobre a capacidade dos EUA de sustentar operações militares prolongadas.
Analistas consultados pelo Global Times apontam que, apesar dos preparativos em larga escala, os estoques de munição norte‑americanos e a atual capacidade industrial de defesa podem não acompanhar um ritmo contínuo de bombardeios de alta intensidade.
O presidente Donald Trump afirmou que os EUA e Israel conseguiriam manter a pressão militar sem grandes dificuldades, embora tenha reconhecido a possibilidade de novas baixas norte-americanas. A declaração, porém, contrasta com preocupações internas do Pentágono, que teme um desgaste acelerado de arsenais considerados estratégicos.
Antes mesmo do início dos ataques conjuntos, veículos de imprensa já alertavam para o estado dos estoques de munição dos EUA. O chefe do Estado‑Maior Conjunto, Dan Caine, admitiu que a operação no Oriente Médio poderia gerar perdas significativas e comprometer ainda mais as reservas de armamentos.
O The Wall Street Journal relatou que a estratégia norte-americana está sendo testada enquanto Washington tenta neutralizar a capacidade de mísseis e drones do Irã antes que faltem interceptadores para conter eventuais retaliações. Especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que os estoques podem se esgotar rapidamente, já que estão sendo consumidos mais rápido do que podem ser repostos.
Israel enfrenta dilemas semelhantes, com baixos níveis de mísseis interceptadores Arrow 3, segundo fontes norte-americanas. A situação ecoa preocupações anteriores, quando o apoio militar dos EUA à Ucrânia já havia exposto fragilidades nos estoques de munição, levando o Pentágono a suspender o envio de certos armamentos a Kiev.
Para o especialista chinês Zhang Junshe, se os EUA mantiverem o atual ritmo de bombardeios, dificilmente conseguirão sustentá‑lo por muito tempo. Ele destaca que a desindustrialização reduziu a capacidade de reposição rápida de munições, ao mesmo tempo em que Washington precisa preservar reservas estratégicas para outras possíveis crises.
Diante desse cenário, Zhang avalia que os EUA não parecem preparados para um conflito prolongado de alta intensidade. Caso o confronto se estenda, a pressão sobre as forças norte-americanas pode crescer significativamente, com impactos duradouros sobre sua prontidão militar, conclui a mídia.