As declarações foram feitas durante a II Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo (SP). "Não iremos contribuir para prejudicar os trabalhadores e também não queremos contribuir para prejuízo da economia brasileira (...) Pode ter até regra geral, mas na hora de regulamentar vai ter que cair na especificidade de cada categoria", disse o presidente.
Lula afirmou que o governo busca formular propostas que atendam aos diferentes setores envolvidos.
"Estamos tentando construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e trabalhadores para dar mais comodidade nesse mundo nervoso para que as pessoas tenham mais tempo de estudar, ficar com família, descansar."
A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas tornou-se uma das principais bandeiras econômicas do presidente em sua busca pela reeleição neste ano, mas enfrenta resistência do setor produtivo, que argumenta que a medida pode elevar custos e pressionar preços ao consumidor.
Na semana passada, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, afirmou que o tema não deve ser debatido em ano eleitoral.
Lula participou do evento ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Luiz Marinho (Trabalho).
Tebet defendeu o fim da escala 6 por 1 e afirmou que "dizer que o Brasil vai quebrar com o fim da escala 6x1 é não conhecer a realidade do Brasil".
Haddad afirmou que o debate exige engajamento da sociedade, enquanto Luiz Marinho reconheceu possíveis impactos sobre custos empresariais, mas defendeu ganhos de produtividade.
"Temos que apostar, portanto, na produtividade. Precisamos de ganho de produtividade que vem com investimento e tecnologia, conhecimento e o prazer do trabalho", enfatizou.
Mais cedo, o ministro afirmou que o governo pode enviar um projeto de lei com urgência ao Congresso Nacional sobre o fim da jornada 6 por 1 caso avalie que o tema não avança na "velocidade desejada".