"O momento não é muito favorável aos europeus. Eles estão em crise econômica, muito por conta dos preços da energia. Além disso, em termos militares, a Europa sabe que o seu armamento não está em condições de travar uma guerra de alta intensidade, pois há defasagem técnica, e ainda tem que manter a Ucrânia, um Estado corrupto que drena muitos dos seus recursos", disse.
"O contingente de muçulmanos que habita a Europa é muito grande, e eles são eleitores. Qualquer ataque dos europeus [ao Irã] fica suscetível a uma oposição interna. Além do segmento dos muçulmanos, qual cidadão europeu em sã consciência vai brigar pelos norte-americanos? Ainda mais em um cenário em que os EUA têm chances de não conseguir seus objetivos", comentou.
Europa usa a retórica para não se comprometer
"O Reino Unido não está acompanhando os EUA, há muito tempo isso não acontecia. A Alemanha demonstra apoio, mas não tem poder para isso. A Espanha teve uma postura radical e contrariou a Casa Branca. Ou seja, a Europa está dividida, fragmentada, e por isso não pode agir de forma efetiva neste momento", analisou.
"As bases europeias correm risco se a Europa atacar o Irã, e é um risco que ela não quer correr, além de não querer perder dinheiro em mais um conflito. Além disso, os europeus nem tentam intermediar o conflito para não se indisporem com Donald Trump", enfatizou o especialista.
Oportunismo europeu com desgaste dos EUA
"A Europa não tem condições de cooperar com EUA e Israel e está sendo oportunista. Vejo que observam Washington se desgastar militarmente e politicamente no Oriente Médio, provavelmente visando ocupar espaços nos países do entorno após essa guerra, porque haverá novas oportunidades de negócios que talvez fiquem limitadas aos norte-americanos", finalizou.