A rotina passou a ser guiada por pequenos cálculos de sobrevivência que incluem identificar janelas vulneráveis, encontrar alimentos básicos que desapareceram das prateleiras e lidar com o sobressalto provocado por qualquer ruído. Com o espaço aéreo perigoso e bloqueado, a única rota de fuga acaba sendo uma longa viagem por estradas desérticas sob ataque iraniano.
Em Dubai, alguns moradores relatam, pela primeira vez, dúvidas sobre a resiliência da cidade; outros se surpreendem com a persistência de uma normalidade aparente. Enquanto isso, repórteres se espalham pela região para compreender o impacto dos ataques, que atingem aeroportos, hotéis e centros de dados, paralisando o turismo e os negócios e colocando em xeque décadas de construção estatal.
A guerra expôs fragilidades profundas nos pilares que sustentaram a ascensão do Golfo: a promessa de segurança em meio ao caos regional e a confiança na continuidade das exportações de energia.
A tentativa de transmitir normalidade, como a caminhada do presidente dos Emirados pelo Dubai Mall, contrastou com voos suspensos, mercados fechados e filas por suprimentos. O choque psicológico levanta dúvidas sobre a capacidade de centros como Dubai, Abu Dhabi e Riad de manterem seu status premium quando se mostram vulneráveis a ataques diretos.
No campo econômico, o impacto é ainda mais profundo. O fechamento do estreito de Ormuz, a paralisação das operações de GNL do Catar e a interrupção da produção no Iraque e na Arábia Saudita provocaram um choque de oferta antes inimaginável. Com petroleiros parados e instalações danificadas, os preços de petróleo, gás e commodities dispararam, ameaçando os modelos de diversificação e os contratos sociais financiados pela renda energética.
A guerra também reconfigura o futuro das relações entre o Irã e os países árabes do Golfo. Segundo a mídia, após anos de aproximação cautelosa, a confiança agora está abalada pelos ataques iranianos às bases militares e pontos estratégicos em seis Estados alinhados aos EUA como retaliação às ações de Washington e Tel Aviv.
A mídia conclui que o resultado é um Golfo mais tenso, mais defensivo e menos seguro do que em qualquer momento das últimas décadas.