Nesta sexta-feira (6), o mercado reagiu com forte volatilidade à escalada das tensões e à paralisia do tráfego marítimo no estreito de Ormuz — rota por onde circulam aproximadamente 20% do suprimento mundial de óleo.
O barril do tipo Brent superou a marca de US$ 90 (R$ 472) e atingiu os US$ 94 (R$ 493) ao longo do dia, os maiores valores registrados desde o final de setembro de 2023 e um aumento de cerca de 30% nesta semana.
O aumento das cotações acelerou-se ainda mais após declarações do presidente americano, Donald Trump, que exige uma mudança do governo do Irã aprovada por ele.
Geopolítica sobrepõe-se ao mercado
Em entrevista à Sputnik, Guliyev ponderou que, embora interrupções locais possam causar "repiques" momentâneos de preços, a manutenção do barril em patamares elevados dependerá de um cenário de crise prolongada.
"Uma faixa sustentável acima de US$ 100 [R$ 528,72] exige uma queda significativa nas exportações do Irã, do Catar e de outros membros da OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo]."
Para o economista, o momento atual marca uma transição na lógica de preços: "Já não se trata de uma questão de mercado, mas sim de geopolítica e do equilíbrio de poder no Oriente Médio", acrescentou.
Escalada militar
A tensão na região atingiu um novo ápice em 28 de fevereiro, após ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra alvos em território iraniano, incluindo a capital, Teerã. A ofensiva resultou em danos estruturais e vítimas civis, desencadeando uma contraofensiva do Irã contra alvos israelenses e bases militares americanas.
Como reflexo direto, a navegação pelo estreito de Ormuz — gargalo logístico fundamental para o escoamento de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) do golfo Pérsico — foi praticamente suspensa. O setor de seguros já iniciou o aumento agressivo de prêmios e a revisão de coberturas, elevando o custo do frete marítimo global.