A detecção de ondas gravitacionais confirma, mais uma vez, a previsão feita por Albert Einstein em 1915: colisões entre os objetos mais densos do Universo fazem o próprio tecido do espaço-tempo vibrar.
Desde a primeira observação, em 2015, o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria a Laser (LIGO, na sigla em inglês) e seus parceiros internacionais vêm registrando sinais provenientes de fusões de buracos negros, estrelas de nêutrons e até raras fusões mistas entre esses dois tipos de corpos celestes.
A nova atualização, reunida no Catálogo de Transientes de Ondas Gravitacionais 4.0 (GWTC-4), inclui 128 fontes detectadas entre maio de 2023 e janeiro de 2024. O número representa um salto expressivo em relação às três campanhas anteriores, que haviam identificado apenas 90 eventos. E o total pode crescer ainda mais, já que cerca de 170 detecções adicionais aguardam análise e inclusão formal no catálogo, segundo o portal Space.
O Catálogo de Transientes de Ondas Gravitacionais 4.0, ilustrado na imagem, é um registro de fusões cósmicas detectadas entre 2015 e 2024 pelos observatórios de ondas gravitacionais LIGO, Virgo e KAGRA. Cada painel representa a assinatura de tempo e frequência de um evento individual — a fusão de dois buracos negros, duas estrelas de nêutrons ou uma de cada, em algum lugar do cosmos
Para os cientistas, esse avanço marca uma década de progresso acelerado na astronomia de ondas gravitacionais. As observações permitem estudar como buracos negros se formam a partir do colapso de estrelas massivas, reconstruir aspectos da evolução cósmica e testar com precisão crescente os limites da relatividade geral. Cada novo sinal acrescenta uma peça ao quebra-cabeça sobre a origem e o comportamento desses objetos extremos.
O GWTC-4 também se destaca pela diversidade dos eventos registrados. Há fusões entre buracos negros com cerca de 130 massas solares, colisões envolvendo objetos com proporções extremamente desiguais e sistemas que giram a velocidades próximas a 40% da velocidade da luz. Essas características sugerem que muitos desses buracos negros são produtos de fusões anteriores, reforçando a hipótese de cadeias sucessivas de colisões capazes de gerar objetos com massas colossais.
O catálogo inclui ainda duas novas fusões mistas entre buracos negros e estrelas de nêutrons, ampliando o alcance dos fenômenos observados. Para os pesquisadores, esses dados mostram que os detectores estão alcançando regiões cada vez mais profundas do Universo, registrando eventos que ocorreram a bilhões de anos-luz de distância e permitindo testar a relatividade geral em condições extremas.
Embora a teoria de Einstein continue resistindo a todos os testes, os cientistas afirmam que a precisão das previsões precisa acompanhar o ritmo das descobertas. Com detectores mais sensíveis e um Universo repleto de colisões cósmicas, a expectativa é que novas campanhas revelem fenômenos ainda mais incomuns. Os resultados completos do GWTC-4 serão publicados em breve na Astrophysical Journal Letters.