Padilha disse que o conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, é preocupante e pode provocar aumento de custos, principalmente por causa dos efeitos na cadeia global de produção e na distribuição de insumos farmacêuticos.
O ministro explicou que vários medicamentos produzidos no Brasil dependem de princípios ativos importados, especialmente da Índia, e que parte da logística passa por aeroportos do Oriente Médio — o que pode forçar mudanças de rota e impactar os custos finais.
"Sobretudo para a área da saúde. Não existe guerra que faça bem pra saúde. Nós estamos monitorando, na área da saúde, quais são os impactos dessa guerra na parte logística de saúde", disse ao ser questionado por jornalistas sobre possíveis reflexos do conflito em insumos médicos no Brasil.
Padilha defendeu o fortalecimento da produção nacional como resposta à vulnerabilidade geopolítica. Segundo o Ministério, a pasta já investiu mais de R$ 5,6 bilhões desde 2023 para garantir a fabricação nacional de medicamentos oncológicos e para doenças raras e autoimunes.
No mesmo evento, Brasil e Angola consolidaram um acordo internacional de cooperação voltado ao fortalecimento da saúde pública angolana. O encontro aconteceu no Teatro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
O eixo central do acordo é a transferência da expertise do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, com ações voltadas à formação de profissionais e à ampliação do acesso da população angolana ao sistema de saúde do país africano.
O programa é coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em parceria com o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A meta é qualificar 38 mil profissionais das 17 províncias angolanas até 2027, por meio de modalidades como fellowship, doutorado, mestrado, especialização e estágio complementar em instituições brasileiras.