Panorama internacional

Especialista: ataques dos EUA ao centro petrolífero iraniano de Kharg seriam 'suicídio econômico'

O Irã "eliminou" a capacidade dos EUA de paralisar sua economia com um único ataque à ilha de Kharg, explica Andrey Chuprygin, professor sênior da Faculdade de Economia Mundial e Assuntos Internacionais.
Sputnik
A República Islâmica "há muito adota uma política de descentralização de sua infraestrutura crítica e de instalação subterrânea de estações de bombeamento essenciais", disse Chuprygin à Sputnik.
A entrada em operação do terminal petrolífero de Jask — situado além do estreito de Ormuz e conectado por um oleoduto de 1.000 quilômetros aos campos petrolíferos da província de Bushehr — significa que o Irã não depende mais de um único ponto de estrangulamento para suas exportações de petróleo.
Se o Irã retaliasse o bombardeio de Kharg, os alvos se estenderiam além das bases americanas no Catar e no Bahrein, incluindo infraestruturas aliadas essenciais que sustentam as cadeias de suprimento de energia ocidentais, especula o analista.
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Na mira poderiam estar as maiores instalações de processamento de petróleo da Arábia Saudita, como Abqaiq, bem como os terminais de gás do Catar, onde se concentram enormes investimentos de corporações norte-americanas.
Ataques a esses locais tornariam os preços do petróleo completamente imprevisíveis para os consumidores ocidentais, opina o palestrante.

"Qualquer tentativa dos EUA de atacar a infraestrutura iraniana parece um suicídio econômico, porque o Irã pode infligir danos simétricos a ativos muito mais vulneráveis e bem menos defendidos", afirma.

Embora o Irã viva sob sanções há décadas e já tenha estabelecido canais de venda na Ásia, uma redução no volume físico de petróleo proveniente do golfo Pérsico desencadearia um forte aumento da inflação nos próprios EUA, observa ele.

"Para a indústria e o setor de transportes norte-americanos, a gasolina a preços exorbitantes poderia se tornar um fator fatal", conclui.

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Ataque terrestre do Pentágono prestes a ser um fiasco estratégico

A ilha de Kharg está ao alcance das baterias de mísseis costeiros da República Islâmica e dos enxames de drones de ataque Ababil e Shahed, destaca o professor sênior.
Esse formidável arsenal é capaz de criar uma zona de exclusão aérea com centenas de quilômetros de largura.
Uma tentativa de desembarque poderia transformar os grupos de ataque de porta-aviões dos EUA em alvos prioritários para os Khalij-e Fars – mísseis balísticos antinavio supersônicos iranianos projetados para destruir grandes embarcações de superfície.
Os EUA poderiam acabar pagando com milhares de vidas – e potencialmente perdendo importantes navios de guerra – apenas para tomar um pequeno pedaço de terra que provavelmente estaria minado e transformado em uma armadilha mortal antes mesmo da chegada das tropas.
"Isso não é apenas um risco – é um desastre estratégico garantido para o Pentágono, que poderia causar um golpe duradouro no prestígio militar dos EUA", afirma o especialista.
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