A reviravolta no mercado de combustíveis em São Paulo entre 2024 e 2025 expôs o impacto direto das operações policiais contra distribuidoras suspeitas de fraude. Cinco das dez maiores vendedoras praticamente desapareceram após as investigações, abrindo espaço para uma reorganização profunda do setor, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo analistas e executivos que falaram à Folha de S.Paulo, o país vive um momento de ruptura após décadas de concorrência desleal marcada por sonegação e adulteração. Para empresas tradicionais, o avanço da fiscalização representa um divisor de águas no combate ao crime organizado e às práticas irregulares que distorciam preços e margens.
Grandes distribuidoras como Ale, Ipiranga e Vibra registraram forte crescimento em 2025, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde as operações foram mais intensas. A Ale relatou saltos de até 40% nas vendas, enquanto a Ipiranga e a Vibra destacaram margens maiores e um ambiente regulatório mais equilibrado.
Os números da ANP confirmam a retomada: juntas, as três líderes ampliaram sua fatia nacional tanto em gasolina quanto em diesel. Em mercados estaduais estratégicos, como São Paulo e Rio de Janeiro, o ganho chegou a dois dígitos, refletindo a saída de concorrentes envolvidas em irregularidades.
As operações policiais miraram inicialmente redes ligadas ao PCC e, depois, a Refit, dona da refinaria de Manguinhos. Para o Instituto Combustível Legal, a descoberta de esquemas financeiros envolvendo fintechs e o estrangulamento das fontes de recursos do crime marcaram um momento histórico para o setor.
Ainda de acordo com a apuração, o novo cenário também se refletiu na Bolsa: Vibra e Ultrapar atingiram seus melhores níveis em anos, enquanto a Raízen, em crise, entrou em recuperação judicial. Empresas médias também avançaram, dobrando participação em São Paulo com a retirada das suspeitas de fraude.
Com maior rigor fiscal e novas leis, como a do devedor contumaz, o setor acredita que a repressão continuará forte. Ainda assim, segundo a mídia, há preocupação com novas modalidades de crime, como bombas adulteradas, que já motivaram mais de uma centena de autuações da ANP em 2025.