Segundo ele, o programa deve ir além do apoio tradicional às exportações, abrangendo também setores com déficits comerciais — quando o país importa mais do que exporta —, áreas consideradas estratégicas e segmentos impactados por desdobramentos de conflitos internacionais.
A proposta surge em um contexto de tensões comerciais persistentes, mesmo após decisões judiciais nos EUA que alteraram parte da política tarifária. O Brasil Soberano original, lançado em agosto de 2025, foi estruturado como um pacote de financiamento voltado a empresas exportadoras afetadas pelo chamado “tarifaço” americano, que chegou a impor taxas de até 50% sobre produtos brasileiros.
Em fevereiro, uma decisão da Suprema Corte norte-americana derrubou uma medida do governo de Donald Trump, que reagiu instituindo uma tarifa global de 15%. Apesar da mudança, Mercadante alertou que o cenário ainda está longe de ser equilibrado para o Brasil, já que alguns setores continuam sujeitos a tarifas significativamente mais altas do que as aplicadas a concorrentes internacionais.
“Quando é para todos, não desequilibra a relação de comércio. O problema é quando você tem uma tarifa superior aos seus concorrentes”
O presidente do BNDES também citou a permanência da Seção 232 da legislação americana, que permite a imposição de tarifas com base em argumentos de segurança nacional. De acordo com ele, setores como siderurgia, alumínio e cobre ainda enfrentam tarifas de até 50%, enquanto a indústria automotiva e de autopeças lida com taxações em torno de 25%.
Esse quadro, segundo Mercadante, cria distorções relevantes no comércio internacional e exige uma resposta coordenada por parte do Estado brasileiro.
Ao defender a criação de uma nova versão do programa, ele indicou que o governo pretende ampliar os instrumentos de financiamento e apoio à produção nacional, adaptando-se a um ambiente global mais protecionista. “A nossa avaliação é que precisamos de um Brasil Soberano 2”, afirmou.
Mercadante também reforçou que o objetivo é garantir condições mais equilibradas de competição para as empresas brasileiras no exterior e preservar cadeias produtivas estratégicas para o desenvolvimento econômico do país.