"Essa conquista agora está tentando ser desmontada por meio de um acordo ministerial que propõe, primeiro, o banco de horas, muito semelhante à proposta de Milei na Argentina [...]. O problema do banco de horas é que coloca em risco as horas extras e as horas suplementares", adverte Arellano.
O motor da flexibilização
"Foi assinado o Tratado de Livre Comércio com a União Europeia, depois houve negociações com a China e, neste momento, está sendo discutido um com o Canadá. Esse avanço da flexibilização trabalhista vem de determinados grupos que têm interesses, sobretudo na produção, que é exportada para os países com os quais temos tratados de livre comércio; são justamente esses setores que estão impulsionando uma reforma trabalhista regressiva", afirma Arellano.
'Laboratório' equatoriano
"O contexto é o mesmo que tem se repetido em todos os países governados por presidentes de direita: para gerar mais emprego seriam necessários menos direitos, e isso é uma falácia absoluta [...] a norma trabalhista não tem capacidade de gerar emprego, muito menos da noite para o dia. O Equador é um grande laboratório, porque temos mais de 40 formas contratuais, um código do trabalho que todos os anos é reformado com remendos e, apesar disso, o emprego pleno no país continua estagnado", afirma Toapanta.
A redução do Estado
Existe alternativa?
"Há maneiras de pensar uma flexibilização que seja justa para os trabalhadores e não apenas favorável aos empregadores. Reduzir a jornada semanal ou diária sem redução da remuneração, ampliar licenças-paternidade, criar centros de cuidado adequados para que todas as pessoas possam trabalhar enquanto o Estado assume a responsabilidade pelo cuidado de quem necessita", conclui Toapanta.