Kent destacou que, quando o diálogo sobre o enriquecimento de urânio estava em andamento, a administração do presidente Donald Trump tinha um potencial real para fechar um acordo com Teerã.
"Era isso que os israelenses temiam. Eles sabiam que o presidente Trump e sua equipe de negociadores provavelmente chegariam a acordos", ressaltou.
Segundo o analista, foi então que Israel interveio ativamente, insistindo que Teerã estava planejando desenvolver armas nucleares e mísseis capazes de alcançar os Estados Unidos, e que era necessário agir.
Nesse contexto, Kent sublinhou que tudo isso afetou a probabilidade de fechamento de acordos com o Irã.
Ele opinou que as negociações entre Washington e Teerã estavam indo muito bem até a intervenção de Israel. Os representantes de ambos os lados continuaram a se reunir, as discussões prosseguiram e eles debateram de fato o tema do enriquecimento de urânio, havendo potencial para se chegar a acordos.
No entanto, o especialista destacou que a operação Martelo da Meia-Noite, de 12 dias, reverteu essa probabilidade.
"Mas os iranianos são muito calculistas. Quando atacaram em resposta à Operação Martelo da Meia-Noite, fizeram isso com extremo cuidado. Eles lançaram o mesmo número de mísseis que [os norte-americanos] lançaram bombas", acrescentou.
Portanto, ele concluiu que isso evidencia que o lado iraniano continuava aberto para negociar um acordo com Washington.
No dia 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã, inclusive em Teerã. Há relatos de destruição e de mortes de civis. Em resposta, o Irã realizou ataques de retaliação contra o território israelense e contra instalações militares dos EUA na região do Oriente Médio.
Washington e Tel Aviv justificaram o início da operação militar como um ataque preventivo, supostamente motivado por ameaças de Teerã relacionadas ao seu programa nuclear. No entanto, agora não escondem que gostariam de ver uma mudança de poder no Irã.