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Itaipu, Mercosul e crime transnacional: Lula recebe Peña em encontro bilateral na COP15

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Santiago Peña, do Paraguai, se reuniram neste domingo (22) em encontro bilateral à margem da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), em Campo Grande (MS).
Sputnik
A reunião ocorreu antes da abertura oficial da conferência e foi descrita como um dos principais compromissos diplomáticos da cúpula, que o Brasil sedia pela primeira vez.
Na pauta estiveram temas centrais da relação bilateral entre Brasília e Assunção: integração comercial no âmbito do Mercosul e estratégias conjuntas de combate ao crime transnacional. Ponto de destaque também foi o futuro da Usina de Itaipu — uma das maiores hidrelétricas do mundo, administrada em conjunto pelos dois países e alvo de disputas em torno da revisão de seu tratado fundador.
Além da agenda bilateral, os dois presidentes participaram do segmento presidencial da COP15, onde subscreveram a Declaração do Pantanal e anunciaram compromissos de conservação ambiental na região compartilhada pelos dois países com a Bolívia. O ministro das Relações Exteriores boliviano, Fernando Hugo Carrasco, também esteve presente.

ONU e soberania

Em discurso durante a conferência, Lula foi além da agenda ambiental e fez críticas diretas ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Afirmou que nações têm praticado "atentados à soberania" ao redor do mundo e que o órgão máximo de segurança internacional não tem cumprido seu papel.
"O Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de consenso", disse o presidente brasileiro. "Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima."
Lula também situou a crise ambiental dentro desse quadro mais amplo de instabilidade global, lembrando que a história da humanidade "também é uma história de migrações, deslocamentos, vítimas e conexões" — frase que conectou o debate geopolítico ao tema central da conferência.
O presidente brasileiro citou ainda o processo de descolonização, a prevenção de armas químicas e biológicas, a recomposição da camada de ozônio, a erradicação da varíola e o amparo a refugiados como exemplos do que o multilateralismo pode produzir quando funciona.
Panorama internacional
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O Conferência começa nesta segunda-feira (23) e vai até 29 de março. O encontro será presidido pelo secretário-executivo do do MMA, João Paulo Capobianco.
O Brasil comandará a convenção por três anos e deve aprovar a Declaração do Pantanal, convidando novos membros para além dos atuais 133. O governo quer ampliar signatários, captar mais recursos e lançar editais de pesquisa sobre espécies migratórias.
Estão sendo esperados mais de 2 mil delegados. Entre as prioridades estão ações conjuntas com Bolívia e Paraguai para proteger espécies do Pantanal e combater incêndios transfronteiriços.
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