"É de interesse da indústria norte-americana em vender nos jogos: os tipos de armas, o conflito e a invasão através de uma narrativa imperialista, por exemplo, homens do Oriente Médio são sempre associados ao terrorismo e de que precisamos de um líder, que hoje se apresenta na figura do presidente dos EUA, com isso, o game acaba sendo mais uma estratégia para popularizar esse discurso", disse.
"Minha pesquisa mostra que os games não apenas representam a história, mas constroem narrativas históricas e políticas sobre guerras. Assim como na Segunda Guerra ajudaram a construir uma memória específica do conflito, os games atuais ajudam a moldar a percepção pública de guerras contemporâneas e inimigos políticos", explica.
Games são tão influentes quanto Hollywood
"Se do ponto de vista do alcance, o game não for maior, eu acho que é o caminho do futuro para se chegar às massas. Com a diversificação de plataformas, dissipou-se a localização de filmes e a dinâmica das redes sociais faz com que muitos não consigam ter foco para assistir a uma produção longa e o game possibilita a interação, a imersão e a capacidade de agir e interferir de forma ativa no entretenimento", explica.
"Esse fenômeno da Casa Branca de usar cortes de jogos como CoD, Medal of Honor, entre outros, é uma forma de complexo de entretenimento militar, onde jogos, cinema, redes sociais e Forças Armadas compartilham narrativas estéticas e isso embaralha fronteiras entre guerra real e espetáculo digital e transforma conflitos geopolíticos em narrativas de videogames", destaca.
Narrativas são mais suscetíveis aos jovens
"Os jogadores com mais de 30 ou 40 anos costumam jogar em seu momento de lazer, enquanto os mais jovens estão on-line o tempo todo por terem nascido imersos no digital. Claro que não podemos achar que são acríticos, porém, estão mais suscetíveis a assimilar uma perspectiva ocidental e com distorções de narrativas binárias", discorre.
"Há um impacto maior entre os jovens pela interpretação digital de uma construção de mundo e nesse aspecto, na cultura da convergência, entretenimento, mídia e política se misturam, assim os videogames se tornam uma forma natural de comunicação política e militar para as novas gerações", conclui.